Patronagem, Clientelismo e Redes Clientelares: a aparente duração alargada de um mesmo conceito na história política brasileira

10969 palavras 44 páginas
Patronagem, Clientelismo e Redes Clientelares: a aparente duração alargada de um mesmo conceito na história política brasileira1
Alexandre Mendes Cunha*

Resumo:
O texto reflete sobre a reiteração do fenômeno do clientelismo na história política brasileira. Discute-se de forma crítica com a historiografia a aparente duração alargada desse fenômeno desde o período colonial à história republicana. O ponto fundamental, não obstante, é a percepção do que ao longo do tempo vai se diferenciando nessas relações, de maneira que preserve o essencial de sua função política ante um contexto político, social e econômico marcadamente assimétrico. Duas dimensões de análise, por fim, são sugeridas para se acompanhar essa diferenciação do fenômeno clientelístico ao longo do tempo, as formas da racionalidade econômica e da cultura política.
Palavras-chave: relações clientelísticas, historiografia, história política.

O tema da patronagem política, ou, ainda, da leitura da conformação dos espaços da política a partir de relações privadas de cunho clientelístico, vem sendo apresentado pela historiografia como elemento distintivo não de um, mas de variados períodos da história política brasileira. Ou, ainda, em outro registro, como traço essencial da própria cultura política de mais de um contexto histórico. Neste sentido, linha que alguns autores chegam mesmo a reforçar, a patronagem e o clientelismo — ou, em outro acento, o próprio patrimonialismo — assumem as vestes de um fenômeno perene na política brasílica. O objetivo aqui é refletir criticamente sobre essa reiteração ou repetição do fenômeno e demarcar algumas questões que se mostrem pertinentes à análise dos atores políticos, e das relações que delineavam e orientavam sua ação social, nos espaços políticos da América portuguesa, depois Brasil, entre os séculos XVIII e
XIX.
Para se desdobrar o argumento, será dado destaque aqui à discussão das chamadas “redes clientelares”, tema recorrente na

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