Parecer etno-histórico e antropológico

Páginas: 49 (12176 palavras) Publicado: 16 de março de 2011
PARECER ETNO-HISTÓRICO E ANTROPOLÓGICO

INDÍGENAS XETÁ/ARÉ
VALE DO
RIO IVAÍ

CUIABÁ/2010
Adauto Carneiro

PARECER ETNO-HISTÓRICO E ANTROPOLÓGICO

ÍNDICE

1.- A IMPORTÂNCIA DA ETNO-HISTÓRIA. 04

2 – GENERALIDADES 08

3 – RESGATE HISTÓRICO DOS XETÁ/ARÉ

4 – A IMPORTÂNCIA DA DOCUMENTAÇÃO PARA RESGATAR A
VERDADE HISTÓRICA DA ETNIA XETÁ/ARÉ 11

4.1 – THOMAS BIGGWIITTER – 1875
4.2 – TELÊMACO BORBA – 1903
4.3 – CURT NIMUENDAJU - 1912
4.4 – JOSÉ LOUREIRO
4.5 – KOZAK
4.6 – ANETTE LAMING
4.7 – PERSONAGENS DA HISTÓRIA

5 – OS TERRITÓRIO E AS ETNIAS DO NOROESTE DO PARANÁ
SEGUNDO AS FONTES 16

6 - A REGIÃO DO VALE DO IVAÍ 26

10 - ANALISE DO RELATÓRIO DE IDENTIFICAÇÃO 46

11 - O RELATÓRIO DA SR CARMEM LUCIA DA SILVA
E A FICÇÃOIDEOLÓGICA 50
12 – OCUPAÇÃO DO NOROESTE DO PARANÁ COMO FATOR
ANTROPOLÓGICO 54
13 – RELATÓRIO FOTOGRÁFICO 60
14 – CONCLUSÃO 63
15 – B I B L I O G R A F I A 66
1 - A IMPORTÂNCIA DA ETNO-HISTÓRIA.

Para poder se avaliar um processo tão complexo como o de se trazer a tona os fatos ocorridos em uma comunidade étnica culturalmente diferente e principalmente ágrafa,algumas perguntas se impõem sobre qual histórico da trajetória deste povo desde há tempos imemoriais e de todo o processo do contato. Desta forma em que contexto, sob quais condições e com base em quais fontes pode ser produzido um conhecimento que contribui para uma revelação histórica dos índios para com a sociedade nacional. Afinal, o que é que a atual sociedade brasileira sabe sobre as experiênciaspassadas dos povos que habitaram milenarmente o território? Como reconstruir a história de sociedades sem escrita?
A historiografia brasileira desdenhou desde o seu início qualquer documentação verbal que não fosse escrita. Padronizou este traço e universalizou o seu modelo de confiabilidade nos documentos escritos, fazendo extensiva esta qualidade ao “resto” do mundo que foi encontrado noprocesso de colonização. Os povos ágrafos, que já eram tratados etnocentricamente como povos pré-lógicos, foram considerados também como povos sem história, posto que não dominavam a escrita. (FREIRE, 1992: 154)
Nos últimos quarenta anos, esta situação começou a mudar, com o surgimento da Etno-história, uma disciplina que, segundo Le Goff, “constitui um dos desenvolvimentos recentes maisinteressantes da ciência histórica”. (LE GOFF, 1984: 46)
A Etno-história reconhece as profundas diferenças entre as sociedades essencialmente orais e as sociedades onde predomina a escrita, cada uma delas com formas distintas de armazenamento, transmissão e produção do saber. Portanto, considera tais sociedades como equivalentes, no sentido de que ambas possuem uma memória institucionalizada.
Ao descobrira existência, nas sociedades ágrafas, de mecanismos de conservação e transmissão da memória coletiva, a Etno-história entende e valoriza a tradição oral, o que traz de novas fontes a serem trabalhadas.
As pesquisas que incorporaram a tradição oral, como fonte, realizadas nas quatro últimas décadas, vêm demonstrando que os julgamentos sobre as culturas ágrafas, consideradas como incapazes deconstruir o pensamento abstrato, são preconceitos que confundem o saber com a escrita, quando na expressão talvez simplificadora do tradicionalista africano Tierno Bokar, mas didática para esse contexto, “a escrita é uma coisa, e o saber outra. A escrita é apenas uma fotografia do saber, mas não o saber em si”. (HAMPATÉ BÁ, 1980: 181)
No Brasil, um dos primeiros fóruns onde se discutiu a temática foio Grupo de Trabalho “História Indígena e do Indigenismo”, coordenado por Manuela Carneiro da Cunha, da USP, que realizou o seu primeiro encontro formal em 1984, no quadro da reunião da ANPOCS - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais.
Como observa Manuela Carneiro da Cunha:
“sabe-se pouco da história indígena: nem a origem, nem as cifras de população são seguras,...
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