Para ler o pato donald

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  • Publicado : 24 de outubro de 2012
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Prefácio à edição brasileira
Para Ler o Pato Donald foi lançado pela primeira vez no Chile no inicio 1970 num período em que o governo de Salvador Allende se revirava para sobreviver às pressões do imperialismo norte-americano.
A obra de Ariel e Armand em sua versão italiana sofreu duras críticas de Carlo Della Corte na revista Linus. Carlo é jornalista e uma espécie de crítico de cinema,poesia e musical na Itália.
Os comics americanos (bandes dessinées, na França, e fumetti, na Itália) tiveram finalmente, a partir de 1960 – embora existissem desde 1895 – o seu reconhecimento como importante meio de comunicação entre os homens, exatamente em “descobrimento” dos intelectuais europeus de esquerda como Alain Resnais, Elio Petri, Picasso, além de Fellini e outros.
Mesmo Ernesto G.Laura, presidente do Salão de Comics de Lucca e ex-diretivo do Festival de Veneza, já analisava o colonialismo e o terceiro mundo em “L’uomo bianco e il terzo mondo attraverso il personaggio di The Phantom” , no Quaderni di Comunicazioni di Massa n 1, Instituto de Pedagogia da Universidade de Roma, Roma, 1965.
Tal fato não impediria que Frederico Fellini recebesse Lee Falk, o autor do Fantasma, nosbastidores de filmagem de Roma, como seu mestre literário.
Segundo os autores, tal fato poderia ser interpretado como se os intelectuais europeus de esquerda seguissem uma observação de Lenine, de que era preciso saber aproveitar o que os americanos tinham de bom. Outra linha de esquerda proposta pelo livro é a de que o terceiro mundo não aceita Hollywood, os comics, o jazz, o rock, muito menos oChase Manhattan Bank, a Fiat e a Pepsi Cola hoje invadindo a URSS.
Os autores citam ainda que o livro deve ser encarado como um panfleto, uma obra política, parcial, radical, esquerdista, anti-imperialista e anticolonialista em seu bom e seu mau sentido.
Georges Sadoul, crítico de cinema e autor da obra Historia do cinema mundial (Editora Martins , S. Paulo, 1963) cita ainda: O tratamento daPastoral por Disney foi tão destruidor para o meu sentimento da musica, que por muito tempo receei que não pudesse apagar da mente as imagens de Disney, e que minha alegria (ao ouvir Beethoven) ficasse para sempre comprometida, escreveu a esse propósito Ernst Lindgren (the Art of Film, Londres, 1948).
Os autores deste livro fizeram com Disney o que este fizera a Beethoven...
A colocação dosautores é, porém, tão sectária politicamente que a conclusão do livro é a sua premissa.
Walt Disney parou de desenhar em 1927. Montimer Mouse, que a senhora Disney mudou para Mickey foi desenhado por Ub Iwerks, porém, nos créditos lia-se “A Walt Disney comic drawn by Ub Iwerks”
Uncle Scrooge, que foi inspirado no famoso conto de Natal de Charles Dickens, foi criado por Carls Barks e rebatizado comvários nomes pelo mundo todo, tornando-se o Tio Patinhas no Brasil.
Criações de Walt Disney foram apenas Alice e o Coelho Osvaldo.
O restante dos personagens da série assinada por Walt Disney foi criado por uma enorme equipe de desenhistas “fantasmas” espalhada pelo mundo. Dentre os desenhistas desta época está Álvaro de Moya, autor do prefácio do livro. Em 1950, Moya desenhou as capas de PatoDonald e Mickey no início da Editora Abril em São Paulo. O desenhista tinha ainda que assinar seus próprios desenhos com o nome de Walt Disney, o que o fez desistir para sempre do desenho.
Mas as atividades de Disney não se restringem apenas ás revistinhas, mas também a tiras diárias de jornais, suplementos coloridos de jornais de domingo, filmes de animação de longa e curtas-metragens, filmes compersonagens “vivos”, filmes curtos “educativos”, documentários de longa-metragem para o cinema, programas semanais de televisão, audiovisuais, discos, vendas de “originais”, merchandising, e os parques de diversões que resultaram em um levantamento econômico por Wilson Velloso na extinta revista PN.
Em uma divulgação foi revelado que, depois da morte de Walt Disney em 1966, o faturamento...
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