Palestra

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PALESTRA SOBRE JAIME CORTESÃO pelo Dr. Mário Soares proferida no Instituto Nacional de Administração, em 7 de Outubro de 2009, na sessão de apresentação do patrono da 10ª edição do Curso de Estudos Avançados de Gestão Pública Em primeiro lugar, quero agradecer a vossa presença aqui e agradecer ao Engº. Rui Afonso Lucas, presidente do conselho directivo desta casa, ter reiterado um primeiroconvite que me foi feito pelo meu amigo Prof. Correia de Campos, actualmente deputado no Parlamento Europeu. Quero dizer-vos ainda que, apesar de atravessar uma época bastante trabalhosa, sob variadíssimos aspectos, quando me pediram para falar de Jaime Cortesão, eu não pude recusar, por várias razões. Conheci pessoalmente Jaime Cortesão e, na última fase da sua vida, posso dizê-lo, fui seu amigo detodos os dias. Vocês imaginam que eu que já sou mais velho do que ele era quando morreu, conheci muita gente ao longo da vida, pessoas ilustres, portugueses naturalmente, mas também de muitos outros países, e sei, portanto, distinguir as grandes figuras das figuras menores. E, se há pessoa que me fascinou desde jovem e de quem fui, primeiro, admirador rendido e, depois, amigo, foi Jaime Cortesão, porquem tinha uma consideração e uma amizade absolutas, um amigo que eu nunca esqueci, uma das figuras mais extraordinárias do século XX em Portugal. Quero começar, porém, por dizer que tenho muita satisfação em estar aqui no INA, uma instituição que foi pensada na altura em que participei no primeiro governo constitucional, embora a criação efectiva tenha pertencido, depois, ao governo deiniciativa presidencial dirigido pelo Prof. Mota Pinto, uma grande figura também. Quando houve a revolução de Abril, o Estado português vinha de 48 anos de ditadura e caiu como um fruto podre cai duma árvore. Ninguém percebeu isso nos primeiros dias, era a grande euforia nacional, desfrutava-se a liberdade que as pessoas nunca tinham conhecido, mas depois, quando foi preciso formar os primeiros governos (oprimeiro governo provisório foi constituído em 16 de Maio de 1974), os militares, que tinham feito a revolução, que tinham sido os heróis da revolução, ficaram eles próprios sem saber o que fazer. Os problemas nasciam todos os dias e era preciso dar respostas. Na administração pública, a maioria dos quadros superiores desapareceu, não se sabe bem como, saiu, fugiu, reformou-se, toda a estruturado Estado se desfez e foi preciso criar tudo de novo. A administração pública, no tempo de Salazar, não tinha nada a ver com a nossa actual administração pública. Como vocês devem saber, não havia liberdade, ninguém tinha liberdade de dizer o que pensava, agora há uma liberdade enorme sob todos os aspectos, toda a gente pode falar, pode dizer o que quiser e isso leva a que muitos pensem e digam‘’isto está muito mal’’. Mas não está, é o contrário, está bem, porque, apesar de as pessoas dizerem mal, criticarem e até fazerem coisas que ultrapassam os limites da liberdade, a verdade é que Portugal é um país incomparavelmente melhor do que era anteriormente. Retomando a questão da administração pública e do serviço público, constatou-se, na altura, a necessidade de criar esta instituição, tendosido usado como modelo inspirador a ENA francesa, sobre a qual foram encomendados vários estudos. Eu fui acompanhando, mais

ou menos de perto, a evolução do instituto e, que me lembre, vim aqui pelo menos duas vezes, no tempo em que era presidente o Prof. Fraústo da Silva, um grande químico de reputação mundial, que foi ministro da Educação e de quem sou muito amigo. Portanto, pelas minhasligações ao INA e por ser Jaime Cortesão o homenageado de hoje, estou aqui com muito gosto e fico satisfeito por poder contribuir para que os alunos desta edição do Curso de Estudos Avançados em Gestão Pública fiquem com uma idéia mais clara sobre o seu patrono. Vou falar-vos sobre Jaime Cortesão de uma maneira necessariamente breve e informal, apoiado apenas por alguns apontamentos que trouxe...
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