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Educação e Filosofia

É POSSÍVEL ENSINAR O CERTO E O ERRADO? Claudia Fenerich* RESUMO Este breve artigo procura encaminhar uma resposta contemporânea à velha questão socrático-platônica sobre a possibilidade de se ensinar a virtude. O problema é enfrentado sob a perspectiva filosófica que confere à argumentação um papel central com relação à moralidade. A partir dos pressupostos gerais dateoria da argumentação, procede-se, então, estabelecendo-se um confronto simultâneo entre essa perspectiva e as duas visões filosóficas tradicionais, a essencialista e a relativista. Como aportes teóricos principais, a título de exemplificação das tendências consideradas, bem como dos embates histórico-filosóficos travados entre elas, destacam-se aqui os pensamentos de Sócrates-Platão e Perelman.PALAVRAS-CHAVE: Educação. Ética. Argumentação. RESUME Ce bref article cherche d´offrir une réponse contemporaine à la vieille question socratique-platonique sur la possibilité d´enseigner la Vertu. Le problème est affronté sous la perspective philosophique qui attribue à l´argumentation un rôle central, rélatif à la moralaité. Á partir dès préssupositions généraux de la théorie de l´argumentation, onveut établir un confront, tant à partir de cette perspective, commme de deux différentes apports

*

Doutoranda em Educação pela PUC - Rio de Janeiro.

Educ. e Filos., Uberlândia, v. 21, n. 41, p. 121-134, jan./jun. 2007.

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traditionels: l´essencialiste et le relativiste. En tant que des subsides théoriques principaux, á titre d´exemplification des tendencesconsiderées, bien comme des contrapositions historiquesphilosophiques qu‘y tienent place, ressortent ici les pensées de Socrate-Platon d´après Perelman. MOTS CLÉS: Éducation. Éthique. Argumentation. A possibilidade ou não de se ensinar o certo e o errado é uma velha questão, que já se apresenta no Mênon,1 de Platão, exatamente nestes termos: a virtude pode ser ensinada? O problema se desdobra daseguinte forma: se não pode ser ensinada, nem adquirida pela prática, a virtude é algo que se adquire pela própria natureza humana, ou por outro meio? No entanto, Sócrates, personagem principal desse diálogo, afirma que responder a essas questões implica primeiro em responder à outra: o que é a virtude? Sócrates não tinha a menor dúvida de que existia o certo e o errado e de que essas eram coisasque se excluíam mutuamente, de modo que cabia procurar o exato significado de cada uma, para, assim, obter um conhecimento verdadeiro sobre elas. Para Sócrates, dada a realidade incontestável das coisas e das idéias que se apresentavam no mundo, tomar ciência, conhecer, significa apropriar-se da definição, da unidade, da essência dessas realidades. No intuito de explicar o conhecimento, esclarecer omodo de apropriação das essências que constituem as realidades, Sócrates se vale da teoria da reminiscência, segundo a qual “toda investigação e ciência são apenas simples recordação” (Platão, 1996, p. 55), já que a alma, imortal, guarda em si a memória de todas as coisas existentes.

1

Diálogo platônico em que Sócrates expõe a Teoria da Reminiscência, concebida com o propósito de explicar aaquisição do conhecimento.

Educ. e Filos., Uberlândia, v. 21, n. 41, p. 121-134, jan./jun. 2007.

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Assim, a investigação filosófica, utilizando-se do método da maiêutica, constitui-se, para Sócrates, numa forma de se buscar, incansavelmente, a memória de um saber que se encontra esquecido na alma. Todo homem traz em si as respostas para os problemas que seapresentam. O conhecimento é inato. A questão que se apresenta, então, é: cabe a cada um buscá-lo dentro de si. No processo de conhecimento concebido por Sócrates, tanto o interlocutor quanto o próprio diálogo estão a serviço do autoconhecimento, e em nada interferem no objeto por ele visado. A ciência é a expressão do encadeamento dos raciocínios, que conduzem de uma idéia a outra, desde o início...
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