Osvald de andrade

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Memórias Sentimentais de João Miramar
Em Fevereiro de 1922, em São Paulo, realizou-se “A Semana de Arte Moderna”, evento apontado como inaugural do modernismo brasileiro. Trata-se, sobretudo de um movimento marcado por uma adaptação das correntes estéticas que se verificavam na Europa à realidade brasileira, tal como se havia feito com o Romantismo, cerca de um século antes. Dá-se um corte com opassado e nota-se um intenso desejo de exprimir e definir o que é nacional e o que é brasileiro. O objetivo seria como escreveu Menotti Del Picchia, a criação de uma “arte profundamente autônoma, moderna e nacional.”
A obra Memórias Sentimentais de João Miramar de Oswald de Andrade mostra-se como obra tipicamente modernista. As grandes preocupações teorizadas pelos autores do movimentomodernista brasileiro surgem na prática na obra de Oswald de Andrade. À primeira vista o livro é marcado por uma seqüência de blocos curtos e descontínuos, caracterizados por uma escrita fragmentária, elíptica e sintética. Procura-se com isto o corte com as técnicas utilizadas pelo realismo e naturalismo de finais do século XIX, ao mesmo tempo em que se entrega a idéia de velocidade, rapidez e dinamismomarcantes da sociedade de inícios do século XX devido à rápida leitura do texto.
Memórias Sentimentais de João Miramar preocupa-se igualmente com a questão da língua e com a expressão do nacional. É freqüente a manipulação da língua pelo autor de forma a atingir um maior “abrasileiramento” a partir de novos compostos e empréstimos. A questão da língua surge referenciada por Oswald de Andrade no seu“Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, onde escreve: “A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” Trata-se do aproveitamento de coloquialismos e brasileirismos como língua literária. A língua tal como é usada pelos falantes no Brasil, funcionando também como forma de expressão nacional.
A obra termina com umareferência que reflete toda a questão modernista e os grandes temas de Memórias Sentimentais de João Miramar. Após ter entregado o livro para ler, e já num registro póstumo, surge a última frase: “O meu livro lembrou-lhe Virgílio, apenas um pouco mais nervoso no estilo.” Tal como a Eneida é a obra emblemática da língua e cultura romanas nos últimos anos na República, também Memórias Sentimentais de JoãoMiramar o procura ser para a sociedade brasileira de inícios do século XX. Tal como a Eneida preconiza grandes feitos para o povo romano, declara a sua independência e superioridade e exprime a sua nacionalidade, também Memórias Sentimentais de João Miramar o procura ser.
Procura-se assim a expressão do nacional, uma representação da sociedade brasileira no início do século XX, em plena fase detransição adaptação e evolução a um novo mundo, moderno, impessoal, fragmentário e maquinizado. Expressando, sobretudo a classe burguesa conservadora, o autor fala através de uma paródia e sátira, como refere Haroldo de Campos no seu prefácio.
Nota-se esta questão na abertura do livro, onde a personagem Machado Penumbra assina o prefácio. Escreve numa linguagem trabalhada, semelhante à escritaparnasiana e aceita a nova obra, não rejeitando o que fica para trás. Penumbra sabe que se encontra numa fase de mudança e que a obra é representação dessa mudança. “[Memórias Sentimentais de João Miramar] apresenta-se como o produto improvisado e, portanto imprevisto e quiçá chocante para muitos de uma época insofismável de transição.”
Resumo da obra
O romance acompanha a vida de João Miramar,uma espécie de caricatura do homem paulistano das classes mais abastadas - herdeiro da cultura do café, avesso às coisas brasileiras e fascinado pelo que é estrangeiro - à época da juventude de Oswald de Andrade.
João Miramar passou a infância em São Paulo. Órfão de pai, foi criado sob a influência da mãe, religiosa e austera, à qual ajudava uma “preta pequenina (...) de cabelos brancos”, de...
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