Os valores e o amor no ambito da filosofia

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  • Publicado : 6 de agosto de 2011
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OS VALORES E O AMOR

O tema dos valores, tecnicamente, a «axiologia», é recente em filosofia, propriamente contemporâneo, mas em substância sempre esteve presente na ética filosófica, basta lembrar-nos da discussão de Sócrates com os sofistas.
Explicitamente o tema iniciou entorno a 1860 com Lotze, discípulo de Herbert, influídos pela filosofia kantiana. A temática foi retomada depois pelosneo-kantianos e, entre os mais importantes está Rickert (+ 1936).
Sem dúvida foi Max Scheler com duas das suas obras, “O formalismo na Ética” e “A Ética Material dos Valores”, quem deu a este tema, entrada formal na filosofia. Outros filósofos que se ocuparam dos «valores» são: L. Lavelle, J. de Finance: “Ensaio sobre o Agir Humano”, e os autores espiritualistas cristãos.
Já sabemos que nohomem estão presentes uma esfera cognoscitiva e outra volitiva, agora temos uma terceira, a esfera «afectiva». Santo Tomás não dá independência à dimensão afectiva do homem, para o doutor Angélico, está situada ou bem no apetite sensitivo, ou bem na vontade. Autores contemporâneos, que não rejeitam a filosofia de S. Tomás, estão de acordo em reconhecer à afectividade um carácter mais autónomo, pelasseguintes razões:
Primeiro, desde um análise fenomenológico vê-se que se dá uma afectividade no plano sensitivo e outra no plano espiritual. É que verdadeiramente há uma afectividade espiritual, senão, como explicar a experiência mística? Porque, a gente pode não aceitar o objecto da experiência mística (Deus), mas não se pode duvidar que a experiência mística se dá de facto, e ficariainexplicada se não se admite uma afectividade à nível espiritual.
Segundo, o que chamamos «afecto» não é algo exclusivo do concupiscível, há uma verdadeira afectividade espiritual que não se identifica «simpliciter» com a vontade. É certo que S. Tomás coloca o amor como um acto da vontade, mas esta afectividade espiritual seria distinta da vontade como capacidade de acção. No pensamento de Tomás, avontade comanda o acto de amor (caridade), porém, hoje prefere-se dar a vontade um carácter mais prático, ligada ao agir, ao fazer, a transformar. Afirmamos mais uma vez que, há uma afectividade espiritual que se dirige ao que não é empírico, mas ao transcendente. Seguimos a Santo Tomás por uma questão de coerência sistemática, mas reconheçamos que o Aquinate não escreveu muito sobre o tema.
Estaafectividade radica tão profundamente no núcleo do ser humano que o constitui desde sua raiz, surge ali mesmo onde surge o «ser-pessoa», no núcleo ontológico mais íntimo. Esta zona é chamada pelos contemporâneos como «âmbito do desejo». Isso significa que o homem está metafisicamente aberto ao desejo, porque é um ser que se percebe a si mesmo profundamente indigente, incompleto. Assim, encontramosnesse núcleo ontológico que chamamos pessoa, algo assim, como um impulso originário e originante (de realizações) à plenitude, isto é, o homem enquanto ser finito e limitado tende essencialmente ao infinito e à plenitude de ser. É apropriado, portanto, concluir que o homem está metafisicamente constituído pelo desejo. Ora, esta tendência tem um impulso emotivo e afectivo que se dá em degraus:
Aemoção: é o «sentir-se-afectado-por», é distinta da pura sensação, porque a emoção é capaz de mover interiormente ao sujeito, sua interioridade fica comovida.
O sentimento: é a continuação da «emoção», quando a emoção é estável e prolongada, então, se converte em sentimento.
O amor: sua característica própria é o «encontro» com a pessoa do outro, a afirmação da existência do outro. Como diz J.Pieper: «Amar é dizer ao outro, quero que existas».
No coração humano formam uma unidade indivisível o querer, o conhecer e o amar. Alguns autores pretendem relacionar os valores exclusivamente com a esfera afectiva e não com a volitiva; não é essa a nossa opinião, nós pensamos que os valores estão em contacto com toda a pessoa e com todas suas potências.
Não devemos pensar os valores como se...
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