“ Os movimentos sociais tradicionais e os novos movimentos sociais. “

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  • Publicado : 5 de setembro de 2012
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    “ Os movimentos sociais tradicionais e os novos movimentos sociais. “




1. Introdução
Este trabalho pretendeu discutir questões pertinentes ao universo historiográfico referente aos movimentos sociais, enfatizando, sobretudo, pontos que versaram sobre as abordagens teóricas e metodológicas realizadas sobre o tema. Para tanto, adotou-se como objetivo precípuo o resgate de um debateacerca dos movimentos sociais, ressaltando, sobremaneira, aspectos conceituais e teóricos inerentes tanto às tradicionais quanto às novas formas de ação coletiva.
Pertencente à esfera de pesquisa da história social ou como lembrou Hobsbawm (1998), história da sociedade, por se tratar de um termo mais abrangente, os estudos sobre os movimentos sociais figuraram nos últimos dez ou quinze anos, entreas temáticas de trabalho mais estudadas, demonstrando, com isso, uma preocupação em desvendar e trazer para a superfície das discussões e interpretações acadêmicas a história do âmbito social matizada por unidades particulares de pessoas que se encontravam juntas. Obviamente, como pontuou Evers (1984), unidades específicas de indivíduos inseridos no contexto social e político dominante de seusrespectivos países[1].
Visto por este viés, a valorização dos estudos centrados nos movimentos sociais tratou de expor, por seu turno, uma história de baixo para cima resgatando a imagem das pessoas comuns que se encontravam as margens dos centros das decisões políticas, uma vez que, significativa parte da história que era produzida no século XIX, principalmente, através do Positivismo, estavaexpressamente inclinada a ovacionar as realizações dos governantes.



2. Discutindo e conceituando os movimentos sociais
Levando em consideração as informações elencadas pelos textos dos autores: Melluci (1989), Gohn (1997), Evers (1984), Telles (1994), Touraine (1973), já foram elaborados uma série de conceitos sobre os movimentos sociais, cada qual abordando ou explicitando um determinado pontoem especial.
Como lembrou Melluci, ação coletiva podia ser vista e pensada de duas maneiras: ou ela seria o resultado de crises estruturais que se manifestariam na sociedade ou, ainda, ela poderia ser tratada, apenas, como uma expressão de valores e crenças compartilhados. Estes pontos de vista em relação a ação coletiva impediam que ela fosse concebida como um sistema de relações[2].Touraine[3] foi um dos autores que construiu seu arcabouço teórico sobre elementos vinculados a uma abordagem de aspecto estrutural que identificava os movimentos sociais como condutas coletivas agregadas às lutas por interesses, por assim dizer, a ação conflitante de agentes de classes sociais lutando pelo controle do sistema de ação histórica[4].
Contudo, pressupostos teóricos desta natureza abriram mãode explicar como os movimentos se constituíam e, além disso, como conseguiam manter em funcionamento a sua estrutura. As teorias estruturais minimizavam o nível de consideração sobre a ação coletiva concreta e os atores[5].
Obviamente, o caminho de análise traçado por Touraine não pode ser visto aqui como um equívoco absoluto, afinal de contas o seu trabalho foi considerado como um clássicodentro do campo de estudos dirigidos aos movimentos sociais, mas isso não impede que as suas análises sejam complementadas por outros pontos de vista. Neste caso, acredito que a orientação de pesquisa que foi proposta por Melluci apresentou um grau de coerência que não deve ser deixado para segundo plano, haja vista que o entendimento sobre a ação coletiva: tem de ser considerada como uma interação deobjetivos, recursos e obstáculos, como uma orientação intencional que é estabelecida dentro de um sistema de oportunidades e coerções. Os movimentos são sistemas de ação que operam num campo sistêmico de possibilidades e limites. É por isso que a organização se torna um ponto crítico de observação, um nível analítico que não pode ser ignorado. O modo como os atores constituem sua ação é a...
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