Os meus Romanos

Páginas: 6 (1281 palavras) Publicado: 4 de abril de 2014
"Os meus romanos, alegrias e tristezas de uma educadora alemã no Brasil", de Ina Von Binzer, foi publicado em segunda edição pela Editora Paz e Terra em 1994, numa edição revisada e bilíngüe. A tradução está assinada por Alice Rossi e Luisita da Gama Cerqueira e os prefácios são de Paulo Duarte e Antônio Callado. Este livro, é redigido sob a forma de cartas romanceadas, mostra-nos a educaçãofeita pelo preceptor aos filhos das famílias ricas e faz um curioso retrato do movimento social. Assim mostra-se como uma leitura agradável para os historiadores da educação, ávidos por novas fontes.
O romance epistolar narra à história de Ulla, jovem professora alemã que vem ao Brasil trabalhar. As cartas que ela escreve são dirigidas a Grete, sua amiga na Alemanha. A moça emprega-se em umafazenda no interior de Minas Gerais, onde dá aulas aos filhos do fazendeiro. Passa por diversas situações de dificuldade, provenientes da diferença cultural existente entre os povos brasileiro e alemão. Sem ganhar o suficiente para pagar a passagem de volta e exposta ao estresse, a moça cai doente e muda-se para o Rio de Janeiro. Lá sua situação não muda muito, pois sofre em meio a uma culturacompletamente diferente da sua.
Binzer, segundo Paulo Duarte, "faz um curiosíssimo depoimento da vida patriarcal do século retrasado" antes que ocorressem à abolição da escravidão (1888) e a proclamação da República (1889), isso é nos possibilita perceber a intensa agitação que antecede esses acontecimentos. A autora imigra para o Brasil, em 1881, Passa a trabalhar depois em São Paulo, e retorna aAlemanha em 1884. Durante todo o período em que aqui permanece, tudo observa com olhos críticos; tudo analisa e critica e faz comparações quase que absurdas com sua terra de origem, porém coisas boas acontecem com ela também a moça conhece um engenheiro inglês, por quem, embora não confesse, demonstra, nas cartas dirigidas a Grete, estar apaixonada. Mais uma vez a professora muda de emprego, dessa vez emuma fazenda no interior de São Paulo. Embora a casa onde se instala seja mais rústica e com menos conforto do que a residência da primeira família com quem trabalhou, a jovem adapta-se bem melhor, pois a esposa do fazendeiro fora criada por uma governanta alemã, demonstrando muita afinidade com essa cultura e, portanto, as duas mulheres se identificam imediatamente.Após alguns meses desse novotrabalho, a moça escreve a sua amiga alemã avisando que, brevemente, ela e o seu noivo, o engenheiro inglês, estarão contando pessoalmente as novidades, pois voltarão à Alemanha. Além disso tudo a autora nos dá um retrato da situação em que se encontra o país. Segundo ela: "Neste país os pretos representam o papel principal... Todo o trabalho é realizado pelos pretos, toda riqueza é adquirida pormãos negras... Na nossa Europa muito pouco se sabe a respeito da lei referente a esse assunto, e imaginávamos que a escravidão fora abolida. Mas não é assim. Devemos ressaltar que não é verdadeira a afirmação de não existirem trabalhadores livres no país. Sua existência é confirmada por vários relatos do período; porém estes permanecem à margem do processo produtivo, devido, em parte, às condiçõesclimáticas, que não forçam os homens a acumularem e ter ambições. Os escravos libertos abandonam as fazendas, vivem como nômades e não se entregam ao trabalho regular. Em comparação com os trabalhadores de outros países, o trabalhador do Brasil apresenta características peculiares, que não lhe permitem compara- lós com trabalhadores norte-americanos, por exemplo, pois o brasileiro, assim quepossível, abandona o trabalho e compra escravos.
Muitos autores do século XIX escrevem sobre o desleixo e a miséria da vida do trabalhador brasileiro. Este se confunde com os bichos e vive como eles, daquilo que a abundante natureza brasileira oferece: come frutas, raízes, caça, etc. Binzer descreve um passeio que faz pela fazenda São Sebastião, onde encontra uma grande parte de cana verde cortada e...
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