Os maias

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Tempo

É o tempo que move os acontecimentos. As personagens envelhecem realmente. Assim, o tempo engorda Carlos, faz calvo Ega, torna grisalho o Taveira, o Craft surge “avelhado” e doente do fígado. O tempo modifica ainda a atitude das personagens: Afonso não reage igualmente perante o desgosto do filho e do neto; Carlos e Ega, desde o desfecho da acção até ao epílogo alteram o seuprocedimento.

Tempo diegético (ou da história)
Trata-se do tempo em que decorre a acção e é sugerido através do tempo histórico, das referências cronológicas, do tempo cósmico e do desenrolar da acção. Nos Maias a acção passa-se no século XIX, entre 1820 e 1887. Narrando a história da uma família ao longo de três gerações – embora não tendo todas o mesmo destaque – o autor dá-nos referências cronológicasconcretas e refere-se a acontecimentos reais da evolução da sociedade portuguesa dessa época. A acção não abrange meio século mas apenas catorze meses, do Outono de 1875 a finais de 1876; e, enquanto os antecedentes familiares, de cerca de 1820 a 1875, só ocupam oitenta e cinco páginas, os catorze meses da acção, de que são protagonistas Carlos e Maria Eduarda, espraiam-se por mais de quinhentas enoventa páginas.
No tempo histórico são referidos acontecimentos que se prendem com a Revolução Liberal de 1820 e com a Regeneração. Numa obra que tem Portugal como personagem, o tempo histórico adquire uma importância fundamental.
Nas referências cronológicas são apresentadas datas concretas ao nível da acção principal, sendo de reter:
- 1875 – Carlos vai habitar para o Ramalhete;
- 1877 –consuma-se a tragédia e Carlos abandona Lisboa indo viajar pelo estrangeiro;
- 1887 – Carlos regressa a Lisboa dez anos depois de ter partido, defendendo uma teoria de vida que evita o sofrimento (o fatalismo muçulmano), encontra-se com Ega, seu velho amigo.
O tempo cósmico relaciona-se com o ritmo dos dias, das noites e das estações do ano.
O desenrolar da acção secundária e principal preencheum certo tempo diegético que nem sempre é mensurável cronologicamente, por pertencer ao mundo fictício da realidade textual.

Tempo narrativo
Em “Os Maias” há que distinguir entre o tempo da novela e o tempo do romance.
O tempo da novela tem um rápido encadeamento de factos que se sucedem uns aos outros num apressado fluir temporal, encontramos exactamente esse processo no que consideramos aprimeira parte da obra, na qual ela obedece a uma estrutura novelesca.
Através de uma analepse, uma vez integrado o leitor no cenário do Ramalhete reabitado, ele é conduzido a uma rápida viagem no tempo. Em dois completos capítulos (o 1º e o 2º) deslizam a intransigência absolutista de Caetano, a juventude controversa de Afonso, a paixão trágica de Pedro e o nascimento do último varão dos Maias– Carlos.
Rapidamente, em breves períodos, dotados de uma poderosa dinâmica narrativa, o narrador conta, sinteticamente, os casos fundamentais da história das três gerações,
A este ritmo de novela, em que o fluir dos meses e anos se reduz a alguns parágrafos ou folhas no espaço narrativa, vai abrir o narrador pequenas brechas: uma mais demorada narração do despertar passional de Pedro e a análise,mais pertinente, da sua breve vida conjugal.
O tempo do romance ocupa grande parte o livro e só descreve um ano e poucos meses da vida de Carlos.
Tendo início no Outono de 1875, quando Carlos regressa a Lisboa, após uma longa viagem de fim de curso. Passam-se semanas em planos de instalação.
Até Março de 1876, encontramo-lo inserido na vida fértil da alta sociedade lisboeta, tentando, em vão,concretizar os seus vastos planos de estudo e trabalho e já seduzido por Maria Eduarda, que havia visto no Hotel Central.
Em Novembro do ano anterior chegara Ega a Lisboa.
Seis meses depois, em Maio de 1876, Ega regressa a Celorico, continuando Carlos dividido entre as solicitações de carácter social, os seus esforços improdutivos de trabalho e o sonho da mulher idealizada. No início do...
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