Os diversos “rostos da infância” e suas respectivas formas de educação

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  • Publicado : 26 de março de 2011
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Os diversos “rostos da infância” e suas respectivas formas de Educação


RESUMO: A apresentação deste tema aborda uma análise dos diferentes olhares para a infância ao longo do tempo, atentando para o fato de que não podemos compreender a infância fora de suas relações sociais e da própria cultura na qual está inserida.
O tema procura investir na problematização das diferentesinfâncias a fim de provocar posturas críticas e reflexivas sobre a globalização da infância.

PALAVRAS-CHAVE: infância, contexto social, natureza e classe social.

Introdução
Da Antiguidade à Idade Média não existia esse objeto discursivo que atualmente chamamos de infância. Naquela época, as crianças eram vistas como adultos em miniatura e tinham as mesmas obrigações deles. Dessa forma, nãoexistia a separação entre o mundo infantil e o mundo dos adultos. Ao falar sobre a história da infância é imprescindível mencionar a pesquisa de Philippe Ariès tendo em vista que esse estudo foi base da maioria das pesquisas posteriores sobre o tema. Em relação ao sentimento de infância na sociedade medieval o autor pontua que:
Na sociedade medieval [...] o sentimento da infância não existia – oque não quer dizer que as crianças fossem negligenciadas, abandonadas ou desprezadas. O sentimento da infância não significa o mesmo que afeição pelas crianças: corresponde à consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem. Essa consciência não existia. Por essa razão, assim que a criança tinha condições de viver sem asolicitude constante de sua mãe ou de sua ama, ela ingressava na sociedade dos adultos e não se distinguia mais destes (ARIÈS, 1978, p. 156).
Assim, as crianças e os adultos viviam suas vidas misturadas, tendo as mesmas preocupações e deveres.
Na Modernidade que surge a preocupação, por partes dos adultos, em educar, cuidar e proteger as crianças, separando-as efetivamente dos adultos. Nesse momentoque a instituição escolar e os responsáveis legais pelas crianças passam a ter um importante papel na formação das mesmas.
Se, antes disso, a criança era percebida somente como um ser biológico, sem status próprio, na contemporaneidade ela novamente vive seu dia-a-dia de uma forma muito parecida ao estilo de vida dos adultos. Isso ocorre por vários motivos como agendas lotadas de compromissosdiários, trabalho infantil, erotização precoce, acesso indiscriminado aos meios de comunicação (POSTMAN, 1999), para citar alguns. Segundo Sandra Corazza:
A ‘maturidade precoce’ [...] [das] crianças brasileiras não se restringe ao consumo cultural ou de mercadorias no espaço externo dos shoppings centers, mas é especialmente produzida na instituição ‘casa-ninho’ (CORAZZA, 2002, p. 18).
De acordocom a autora essa instituição é o lugar da democracia direta é onde as crianças são o centro, e a casa e a família são extensão delas mesmas.
Outra questão primordial quando pensamos na infância de hoje é a importância de levarmos em consideração a existência de diferentes infâncias. De acordo com Leni Dornelles as diferentes infâncias “continuam nos assustando, escapando de nossas redes,desconfiando de nossos saberes e poderes” (DORNELLES, p. 12, 2005).
Dessa forma, na contemporaneidade, a fronteira entre o mundo adulto e infantil dissolve-se e as crianças levam suas vidas misturadas à vida dos adultos. Tendo em vista que, muitas delas vivem como mini executivas tendo vários compromissos diários ou ainda têm a sua imagem erotizada nos comerciais para vender determinados produtos. Porúltimo, muitas delas são impelidas a ajudar no sustento da família vendendo balas, pedindo dinheiro nos semáforos. No curta-metragem A Invenção da Infância as múltiplas infâncias estão muito bem explicitadas.
Em relação à infância contemporânea Manuel Sarmento pontua que:
[...] nunca como hoje as crianças foram objeto de tantos cuidados e atenções e nunca como hoje a infância se apresentou como...