Os carros de ontem e suas influencias

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  • Publicado : 23 de abril de 2012
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Quando eles ficam mais belos aqui do que lá


Por Fiori

Mesmo sendo o povo brasileiro um tanto obcecado por design automobilístico, a ponto de bons carros encalharem nas lojas se não forem tão bem desenhados quanto concorrentes que podem ser tecnicamente piores, uma crítica feita com certa constância especialmente a modelos específicos para o Brasil e o Mercosul reside justamente em linhasmal executadas que façam o veículo praticamente gritar “sou algo feito para países em desenvolvimento!”. Por isso, muitas vezes nossos olhos brilham ao simplesmente sabermos que um determinado carro é um projeto estrangeiro ou dele deriva, brilho esse que tem suas justificativas por estar muito associado a algo que esteja razoavelmente sintonizado com o que há de melhor no Primeiro Mundo.Obviamente que um modelo feito para lugares mais exigentes tecnicamente e menos preocupados com design – e com vias menos esburacadas – tem de sofrer algumas adaptações para venda aqui no Brasil, não sendo incomum saírem superiores aos “primos ricos”. Sendo design o assunto deste texto, é nele que nos concentraremos:

Rural Willys X Jeep Station Wagon

Veículo cuja utilidade suplanta o design, tinhaa inovação de ser a primeira perua com carroceria integralmente de aço. Ainda assim, a Willys-Overland americana resolveu levar isso muito a ferro e fogo, e o Jeep Station Wagon saiu com um desenho que basicamente lembrava um Jeep CJ5 com uma traseira mais familiar. O fabricante notou isso e em 1950 tentou amenizar essa sensação ao dar uma ligeira diferenciada com uma grade mais bicuda e combarras horizontais cromadas. A produção aqui foi iniciada em 1956, usando muitas peças importadas. É de se imaginar que no Brasil um desenho tão rústico tenha incomodado quem tocava a Willys brasileira. Mas não era momento de se preocupar com isso, e sim com o aumento de nacionalização que o regime automotivo nacional da época pedia.

Tal necessidade gerou o mote adequado para embelezar algo cujodesenho bruto por si só. E assim foi feito, com uma grade que abandonava as barras verticais que iriam se tornar a marca registrada da Jeep, e cujo desenho bipartido por um V firmava uma assinatura estilística que persistiria na Willys brasileira (e inclusive na Ford, como veremos adiante). Em vez de um capô simples e lembrando um CJ, vinha outro mais reto e alto, com uma série de vincos e dobras eobrigando a uma mudança no espaço da caixa de ventilação, que também passava a ser mais alto. Para parecer visualmente mais larga, os faróis iam para as extremidades.

Acompanhando evolução do modelo americano, dançavam também para-brisa e vigia traseiro bipartidos. Na traseira, uma pequena elegância nacional nas lanternas, de orientação horizontal e bipartidas, contra as minúsculas lanternasverticais da americana. O desenho bem solucionado ficaria com a mudança de marca para Ford em 1972 e seguiria assim até 1977, ano de sua despedida das linhas de produção. Desde 1966, os americanos andavam de Jeep Wagoneer.

Chevrolet C-14/C-15/C-10/D-10 X Chevrolet C/K de 1960 a 1966

Lançada em 1964, essa pick-up derivava do chassi da congênere americana produzida entre 1960 e 1966. Aslinhas de lá eram um tanto burocráticas, com setas montadas em um capô enorme com batente bem baixo e uma linha lateral côncava de comprimento integral. Já os faróis montados muito baixos geravam a sensação de sobrar lata demais acima deles. Para o Brasil, acabaram sendo projetadas novas cabine e caçamba, que reinterpretavam os elementos originais, mas em novo contexto. Continuava a haver capôenvolvente, mas este ficava menor e com batente mais em cima, o que a reboque tornou os paralamas ligeiramente mais altos, mas mantendo o corte superior reto, assim como uma discreta “pestana” sobre o para-brisa. Mudava o formato das portas, com arco de vidro cuja parte traseira adotava ângulo positivo, dando uma sensação de movimento complementada pelo recorte das caixas de roda.

Na lateral do...
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