Origem da filosofia

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  • Publicado : 1 de outubro de 2012
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, é claro, isso altera a visão cosmológica destes filósofos, que concebem o ser originário de todas as coisas de forma mais abstrata e cada vez menos materialista. Heráclito, por exemplo, julga que a unidade fundamental de todo o ser é o próprio fluxo de mudanças e transformações a que estão submetidas todas as coisas. Hegel assim fala de Heráclito: “este espírito arrojado pronunciou pelaprimeira vez esta palavra profunda: “o ser não é mais que o não ser”, nem é menos; ou, ser e nada são o mesmo, a essência é a mudança. O verdadeiro é apenas como a unidade dos opostos (Preleções sobre a História da Filosofia). Para Parmênides, contrariamente a Heráclito, a mudança, o movimento, são meras aparências, ilusões dos sentidos. O ser verdadeiro não se origina e nem perece, ele existe desdesempre, é eterno e imóvel. Todavia, tanto para Heráclito quanto para Parmênides, é pelo logos, pela razão, que se conhece o ser verdadeiro de todas as coisas. A desqualificação que Parmênides faz dos sentidos, porém, é mais radical, já que ele considera que a razão sozinha é que obtém o verdadeiro conhecimento, sendo que todas as percepções dos sentidos fornecem apenas ilusões.
Nietzsche, comosabemos, não tinha uma interpretação muito empolgada de Parmênides. Segundo Nietzsche, Parmênides “operou a primeira crítica do aparelho do conhecimento, extremamente importante e funesta em suas conseqüências, se bem que ainda muito insuficiente. Através disso, ele separou os sentidos e a capacidade se pensar abstrações - a razão - como se fossem duas faculdades inteiramente distintas, desintegrou opróprio intelecto e animou aquela divisão completamente errônea entre corpo e espírito que, especialmente desde Platão, pesa sobre a filosofia como uma maldição” (A filosofia na época Trágica dos Gregos, § 9-13).
Outros filósofos vieram na seqüência, tais como Zenão, Anaxágoras e os atomistas Leucipo e Demócrito, que concebiam, estes últimos, o universo formado por uma multidão de átomos corpóreosque se moviam no vazio infinito.
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A partir de Sócrates, porém, a filosofia toma um novo rumo. Concordemos ou não com o juízo de Nietzsche sobre o caráter nefasto da separação entre espírito e corpo, - operada com radicalidade por Parmênides pela primeira vez na filosofa - o fato é que a partir de Sócrates, a reflexão filosófica vai consolidar essa tendência de separação como uma oposição denatureza entre o espírito humano e a physis, sendo que, no plano cosmológico, vai conceber o universo como uma dualidade substancial, espírito e matéria, onde, quase invariavelmente, a realidade espiritual tem um estatuto ontológico privilegiado com relação à matéria. Assim, os pensadores conhecidos como pré-socráticos, representam uma fase da filosofia marcada pela predominância de cosmologiasque explicavam a natureza como um corpo único, composto de uma mesma substância, onde o homem aparecia completamente integrado.
Não será Sócrates, porém, cuja preocupação era, sobretudo, com questões morais e não físicas, mas seu discípulo Platão que irá nos fornecer aquela que será a primeira importante concepção do cosmos depois dos pré-socráticos. Contra a concepção mecanicista de que o cosmostem uma causa espontânea e desprovida de pensamento, Platão sustenta, como causa primeira de todas as coisas, um ser inteligente, um Deus, um Demiurgo que cria um mundo de coisas corpóreas — a natureza, a physis — ao dar forma à matéria segundo modelos, chamados de Formas ou Idéias, que constituem um mundo a parte do mundo material. As coisas que compõem o mundo físico, são, portanto, imitaçõessensíveis de seres eternos de natureza puramente inteligível. A alma ou o espírito humano, que é da mesma natureza que estas Formas ou Idéias, teria acesso a elas por um conhecimento puramente intelectual, sem nenhuma participação das sensações. Este conhecimento seria uma espécie de reminiscência já que a alma, antes de sua união com o corpo já participava deste mundo de Formas. (Timeo; Repúlica....
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