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DANÇANDO NA ESCOLA
Isabel A. Marques 1
RESUMO
Este artigo discute aspectos epistemológicos, sociológicos, educacionais e artísticos da dança enquanto disciplina escolar na sociedade brasileira. Argumenta em favor de um ensino de dança crítico e transformador que trace relaçõesmultifacetadas entre corpo, escola, indivíduo, arte e sociedade contemporânea. UNITERMOS: dança, corpo, escola, educação Física? Será que estaria na hora de pensarmos uma disciplina exclusivamente dedicada à dança? Ou ainda, será que deveríamos deixar o ensino de dança à informalidade das ruas, dos trios elétricos, dos programas de auditório, dos terreiros, da sociedade em geral? Mas o que é afinal a dançana escola? Área de conhecimento? Recurso educacional? Exercício físico? Terapia? Catarse? E... quem estaria habilitado para ensinar dança? O bacharel em dança? Ou este bacharel deveria, necessariamente, ter cursado a licenciatura? O licenciado em Educação Artística? O licenciado em Educação Física? As pedagogas e professoras formadas em magistério de 2o. Grau estariam aptas a trabalhar estadisciplina nas quatro primeiras séries da escola fundamental? Enfim, que nome daríamos à "dança da escola"? Expressão Corporal? Dança Educativa? Educação pelo/do/no (etc) movimento?2, entre tantos outros que escutamos por aí. Independentemente deste campo minado que, infelizmente, vem se formando ao longo dos anos entre profissionais que se consideram habilitados a ensinar dança, noto que, acima de tudo,é a pluralidade que tem sem dúvida marcado as atividades da dança e ensino no país: diferentes modalidades/formas (do ballet clássico ao "tchan"), produções artísticas (dos festivais de academia às redes computacionais), propostas educativas (das escolas de dança aos cursos de mestrado nas universidades), locais de realização (das ruas aos teatros), apoios (da iniciativa privada às bolsasgovernamentais) se inter-relacionam, se ignoram, se cruzam, entreolham, multifacetando tanto o mundo da dança quanto o mundo da educação dedicado a ela. É nesta perspectiva da diversidade e da multiplicidade de propostas e ações que caracterizam o mundo contemporâneo que seria interessante lançarmos um olhar mais crítico sobre a dança na escola. A transmissão de conhecimento hoje, como sabemos, não serestringe mais às suas quatro paredes. Ao contrário, muitas vezes nossas escolas estão "correndo atrás" das informações mais recentes e de fácil, rápido e direto acesso pela redes de comunicação como a INTERNET. Indo mais além, não podemos nos esquecer de que "as exigências da sociedade tecnológica - em permanente transformação - obrigam a um novo posicionamento sobre o sentido do que é educação,formação, ensino e aprendizagem" (Kenski, 1996, p. 2). Talvez não estejamos falando do fim da escola, mas do fim desta

PARA ONDE VAI O ENSINO DE DANÇA? (À GUISA DE INTRODUÇÃO)
Felizmente, desde que Roger Garaudy (1989) pessimisticamente declarou ser a dança o "primo pobre da educação", o parentesco desta linguagem artística com as demais disciplinas do currículo já foi bastante alterado. NoBrasil, tenho notado nos últimos anos a preocupação de nossos educadores e legisladores em pelo menos mencionar a dança em seus trabalhos e programas. Em 1992, por exemplo, a dança passou a fazer parte do Regimento da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo como linguagem artística diferenciada. Do mesmo modo, já são muitos congressos, simpósios e encontros tanto na área de Artes quanto deEducação Física que estão incluindo a dança como parte de seus programas. Seria interessante também mencionar o crescimento do número de grupos de dança no país e de festivais, encontros e programas regulares tais como os "Movimentos de Dança", patrocinado pelo SESC-São Paulo, ou o "Feminino" e "Masculino" na Dança que ocorre todos os anos no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo, e ainda o...
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