Orestes guimarães e a modernização do ensino de história em santa catarina (1910-1921)

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Orestes Guimarães e a modernização do ensino de História em Santa Catarina
(1910-1921)
Iara Steiner Perin1
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
iarasteinerperin@gmail.com
Este trabalho é recorte do projeto de pesquisa intitulado A organização do ensino de
História e a construção do saber histórico escolar em Santa Catarina (1889 a 1940),
coordenada pela Profa. Dra. CristianiBereta da Silva, desenvolvida no departamento de
História e nos Programas de Pós-Graduação em História e em Educação da Universidade do
Estado de Santa Catarina – UDESC, do qual participo como bolsista de Iniciação Científica.
Este projeto tem como objetivo compreender de que forma o ensino de História e o
próprio saber histórico escolar foram organizados no referido recorte temporal noestado de
Santa Catarina. Esse recorte temporal justifica-se em decorrência das mudanças havidas nos
grupos de poder e uma consequente reorientação das políticas do Estado. Outro elemento
muito importante deve-se ao fato de que o Estado, na esteira do projeto de Reforma da
Instrução Pública no Brasil, nascido no contexto da Proclamação da República, incorporou o
desejo de educar e civilizar ascamadas populares, através de diferentes reformas instauradas
no período. O trabalho em questão insere-se no projeto de pesquisa por ter o objetivo de
analisar algumas das reformas instauradas que foram realizadas pelo professor Orestes
Guimarães, no período que se inicia com sua contratação pelo governo do estado, em 1910,
até o ano da publicação do livro Pequena História Catharinense, de LucasAlexandre
Boiteux, o qual se insere nos projetos pensados pelo referido professor.
Em um país de proporções continentais e com o Regime Republicano recém
proclamado, a manutenção da unidade territorial era motivo de urgência no Brasil do final do
século XIX e início do XX. A associação da figura do Imperador como representante da
unidade já não era mais possível. Pelo contrário, a intençãodos republicanos brasileiros e
catarinenses em particular era realmente construir um novo país, desligado do passado
monárquico considerado arcaico, e rumar para um futuro regenerador de ordem e de
progresso. Então, para concretizar uma nação racional, patriótica e crente no progresso, uma
das medidas pensadas foi a reorganização do ensino, que em Santa Catarina se deu com a
contratação doprofessor paulista Orestes de Oliveira Guimarães, o qual via no método de
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Acadêmica do Curso de História Licenciatura e Bacharelado. Bolsista de Iniciação Científica PROBI C/UDESC
vinculada ao LEH - Laboratório de Ensino de História e ao Grupo de Pesquisa: Ensino de História, Memória e
Culturas.

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ensino intuitivo a solução para o atraso do ensino. Suas reformas seriam feitas através dacriação dos Grupos Escolares no estado, e da instituição de tal método de ensino,
primeiramente, nas Escolas Normais, responsáveis por formar os/as professores/as dos/as
futuros/as estudantes. Neste sentido, o livro do Capitão-tenente da Marinha Lucas Alexandre
Boiteux, Pequena História Catharinense, será analisado enquanto recomendação de Orestes
Guimarães por se adequar ao método de ensinointuitivo, e enquanto produção políticointelectual com fim educativo.
O período compreendido entre o final do século XIX e início do XX foi marcado pela
produção de um novo discurso político que tinha na educação cívico-patriótica um de seus
pontos principais (GOMES, 2009). As reformas no ensino estavam ligadas à preocupação de
intelectuais e políticos, no início do século XX, em adequar oensino aos sonhos que se tinha
em relação à República (MAGALDI & SCHUELER, 2008), objetivo que poderia ser atingido
através do ensino de História.
Para pensar a importância do ensino de História para a construção de uma nação, é
preciso voltar ao momento em que “escrever a história oficial do Brasil” passou a ser algo
imprescindível. Após a Proclamação da Independência, em 1822, vê-se a...
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