Oiffa

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  • Publicado : 22 de novembro de 2012
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Os olhos vermelhos e as presas afiadas em sua boca deixavam claro para mim que não era o único tipo de predador por aqui... Não era o único tipo de morto-vivo que vagava pelo mundo igualmente morto. Mas apesar de nós dois sermos mortos-vivos, éramos bem diferentes um do outro. Minha pele, por exemplo, já estava começando a se decompor com o tempo, já a de Haato permanecia intacta há mais de milanos. Ele era o “lado bom” dos mortos-vivos, e confesso que sem querer, às vezes, me pego tendo inveja por não ter morrido e me tornado um deles. Claro que não foi esse o caso dele, Haato nasceu um vampiro, portanto nunca soube o que é ser Vivo... ser humano. Não que eu saiba muito, afinal, não me lembro de minha vida, não sei como viver de uma maneira diferente da que vivo, embora agora, com aconvivência de um vampiro, eu esteja aprendendo coisas de diversas eras que jamais pensaria em aprender.
O que me dói é saber que por causa da minha existência, da existência da minha “raça”, como ele se refere, não foram só os Vivos que saíram prejudicados e estão quase extintos. Seres milenares, atemporais, que sabem mais da história da humanidade do que a própria estão desaparecendo aos poucosda Terra. Haato é um dos poucos que ainda estão resistindo por aí. É difícil para os vampiros acharem sangue “limpo” sem matar humanos – porque, segundo Haato, matar os poucos humanos que existem seria o fim dos vampiros. Claro, eles podem sobreviver com sangue de animais, diferente de nós que não conseguimos comer outro tipo de carne viva além da humana... Mas não é o suficiente para mantê-losfortes para se defender de quaisquer ameaças, principalmente de seus inimigos naturais, os lobisomens, que para minha surpresa, também existem.
Olho para Haato, que está dormindo – parecendo um morto-morto - em uma cadeira da classe executiva do 747, e noto que suas olheiras estão mais acentuadas. Ele não bebe sangue desde que veio comigo para a colméia. Estamos esperando que algum grupo de caça vápara a cidade para que ele possa sair sem chamar atenção.
Digo, não que ele tenha chamado muita atenção até agora... Haato é um excelente ator, sabe as horas certas de grunhir, cambalear sem exagerar... E isso só de nos observar por alguns dias. Por mais que seja notável que ele é diferente, a ausência de vitalidade em seu cheiro e a ignorância sobre a existência de vampiros ajuda a disfarçarbem o quão diferente ele é. Embora muitos parem para encará-lo com estranheza.
E apesar dele falar muito, mais até do que meu cérebro consegue processar, é bom ter alguém como ele por aqui. É bom ter algo de diferente nessa mesmice de sempre. Mas não posso negar que às vezes tenho vontade de experimentar um pedacinho do cérebro dele, para poder ver um pouco das coisas que ele já viu. Ver como erao mundo bem antes disso tudo e até quem sabe, o que foi que nos levou onde estamos.
- Ew! Sério mesmo que quer comer meu cérebro? – falou Haato não mais que de repente.
Levei um susto, olhando na direção da cadeira em que ele dormia, apenas para ver que a mesma se encontrava vazia. Virei-me e vi Haato parado atrás de mim com uma expressão de nojo. Não bastasse minha lerdeza natural de zumbi,vampiros têm um tipo de super-velocidade, então posso dizer que vira e mexe ele me assustava ao ir de um lugar para o outro numa velocidade muito maior do que meus olhos conseguem captar.
Uma outra coisa que vale ressaltar sobre os vampiros é sua habilidade peculiar – e um tanto inconveniente – de entrar na mente das pessoas, ler os pensamentos das mesmas e brincar com os mesmos, se assimdesejarem.
Foi uma surpresa para Haato quando ele percebeu que podia entrar em minha mente. Segundo o morto-vivo milenar, até então, ele só tinha conseguido entrar na mente de humanos. O que nos fez pensar então que no fundo, zumbis e humanos tinham mais semelhanças do que os vampiros tem com os Vivos, pois assim como eles, não temos nenhuma “barreira” mental como outros seres sobrenaturais que...
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