Nova classe media

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http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1727:existe-uma-nova-classe-media-no-brasil&catid=100:outras-vozes&Itemid=21

Valério Arcary 

Redução da expectativa de mobilidade social pelo aumento da escolaridade. 
Une porte doit être ouverte ou fermée (Uma porta deve estar aberta ou fechada)
Sabedoria popular francesa 
O que tem de ser, temmuita força
Sabedoria popular portuguesa
Much ado about nothing (Muito barulho sobre nada)
Sabedoria popular inglesa 
Diminuiu ou não a desigualdade social no Brasil? A mobilidade social está mais intensa ou não? Está se formando uma nova classe média? Como dizem os franceses, a porta da ascensão social está aberta ou fechada? O tema alimenta uma polêmica na qual não existem posições ingênuas.O Brasil de 2010 é um pouco menos miserável, um pouco menos ignorante, as desigualdades regionais internas são um pouco menos acentuadas que há trinta anos atrás. Mas, a sociedade brasileira não é menos injusta. O argumento deste artigo é que, como o Brasil se transformou em uma economia periférica de baixo crescimento, perdeu-se o principal fator de impulso da mobilidade social que existiu até1980.
O crescimento médio real anual do PIB, por exemplo, nos 10 anos que vão de 1995 a 2004, período inicial de estabilização da moeda nacional foi somente de 2,4%.[1] Entretanto, segundo informações disponíveis do IBGE, a população economicamente ativa (PEA) era estimada: em 1985, em 55,0 milhões; em 1990, 64,5 milhões; em 1995, 74,2 milhões; em 2000, 77,5 milhões, em 2010, 95,21 milhões. A curvademográfica brasileira é, ao mesmo tempo, fascinante e inquietante: todos os anos, mais ou menos 1 milhão de jovens brasileiros procuram o primeiro emprego. Isso mostra o dinamismo da expansão da força de trabalho disponível, e a necessidade de altas taxas de crescimento do PIB para reduzir o desemprego. A dimensão desse crescimento da PEA pode ser avaliada, plenamente, se compararmos os dados doBrasil com os da França: a ampliação da população ativa passou de 20 a 26 milhões no espaço de 40 anos, de 1950 a 1990, ou seja, cresceu 30%, enquanto no Brasil quase duplicou em 25 anos. [2]
A sociedade brasileira não era, evidentemente, um país periférico como os seus vizinhos menores. Entre as nações da periferia do capitalismo existiu, também, uma hierarquia econômica e política. A AméricaLatina recebeu, nos trinta anos do pós-guerra menos investimentos que a Europa e Japão, todavia, mais que a África e Ásia, e o Brasil foi uma semicolônia privilegiada. O Brasil dobrava o PIB a cada década, em média, entre 1950/80. No entanto, levou trinta anos para dobrar a população. Ou seja, em termos reais, a renda per capita era, em 1980, 50% maior que em 1950. Demorou, contudo, os últimostrinta anos para duplicar o PIB de 1980. Crescimento do PIB não deve ser confundido com desenvolvimento econômico e, tampouco, com menor injustiça social. Um país pode ter crescimento do PIB, mesmo sem aumentar a diversificação do seu parque produtivo, mesmo sem agregar mais valor às commodities agro-pecuárias que exporta, mesmo sem incrementar a industrialização, mesmo sem elevar a produtividademédia do trabalho.
Na verdade, as sequelas sociais dos últimos trinta anos só não foram piores porque o crescimento econômico desacelerou, mas a taxa de fecundidade caiu ainda mais vertiginosamente, mantendo quase estável o PIB per capita. Em 1970 a mulher brasileira tinha, em média, 5,8 filhos. Trinta anos depois, esta média era de 2,3 filhos. Em 2006, era de 1,8. Segundo os estudos comparativos doscensos demográficos do IBGE a taxa de fecundidade era de 6,2 filhos em 1940, e uma queda acentuada aconteceu nos últimos 40 anos.[3]
A desigualdade social é uma variável que procura medir a disparidade de condições econômico-sociais. O Radar Social, estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) confirma que 1% dos brasileiros mais ricos (1,9 milhão de pessoas) detém uma renda...
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