No meio da vida

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  • Publicado : 25 de maio de 2012
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NO MEIO DA VIDA

O livro No Meio Da Vida: uma perspectiva junguiana foi escrito por Murray Stein, com tradução de Paula Maria Dip, editoração de PAULUS, da coleção Amor e Psique e coordenada por Dr. Léon Bonaventure e Drª. Maria Elci Spaccaquerche.
O deus grego Hermes está ligado diretamente com esse tema, com a experiência do limiar psicológico, a presença e o papel dos arquétiposinconscientes de transição pelos quais passamos em nossas vidas; ele é como uma presença fixa no limiar do meio da vida e seu mundo se confunde com ele. Apesar do senso de identidade e algumas de suas funções continuarem a existir quando estamos no limiar, à sensação dominante é a de marginalidade, alienação e mudança. Surge ai algumas questões críticas sobre por que e para quem o “eu” existe, do que ele écapaz, de onde ele vem e para onde ele vai. Quando o “eu” está desabrigado, estas dúvidas filosóficas surgem com urgência e, quase naturalmente, desembocam em áreas religiosas de pensamento e emoção, áreas que em geral estão inacessíveis. No limiar da consciência o ponto d vista do “eu” não é fixo, e não ocupa um lugar psicológico definido, as fronteiras do “eu” e do não “eu” ficam vagas e seaproximam bem mais do que em situações conhecidas em que a identidade psicológica está fixa; assim sem laços, o “eu” vagueia através das fronteiras antes proibidas. O terreno emocional interno fica movediço e porque a base não está firme, podemos ficar alternante influenciáveis, sendo jogados de um lado para o outro com facilidade. Um acontecimento repentino pode ter repercussões inesperadas, criandouma conotação mais profunda do que o habitual, como se ficasse impressa em nossa memória.
O meio da vida é um período em que as pessoas muitas vezes dão guinadas existenciais que mudam tudo e revolucionam um mundo que parecia seguro tanto no social como psicologicamente. Neste momento as pessoas fazem mudanças radicais, cortam raízes, rompem padrões e vagam pelo mundo em busca de alguma coisa.Para muitos se trata de um mergulho nos sentidos que chegam inesperadamente, com isso, pode-se afirmar que a meia-idade é algo que acontece de repente, já que na maioria das vezes chega de forma inesperada.
Existe hoje uma consciência muito ampla de que o meio da vida é um período geralmente complicado da existência, no entanto, as dificuldades que enfrentamos nesse momento e os eventos queocorrem nessa fase quase sempre nos surpreendem por sua natureza e intensidade. Tipicamente a transição do meio da vida dura por muitos anos e acontece entre os 35 e 50 anos, caindo em geral, nos quarenta. Existem alguns sintomas característicos dessa fase: longos períodos de depressão e desinteresse pela vida, sensação de fracasso e desilusão, sonho de felicidade e de realização da juventude que sãoabruptamente destruídos, medo da morte e uma sensação que não haverá mis tempo hábil para viver de verdade; fisicamente, também, as pessoas começam a dar sinais de envelhecimento e sua auto-imagem do passado começa a desaparecer e mudar. Pode ser também um período em que a perda dos pais ou uma crescente dependência deles, inverte os papéis: os filhos maduros perdem a suas ilusões de imortalidade.A entrada na transição da meia idade, tanto pode acontecer gradualmente numa sucessão de pequenas mudanças, ou de forma abrupta, do dia para a noite, por meio de uma virada dramática como se fosse uma revolução. Em ambos os casos, há uma queda de continuidade psicológica em que a experiência de si mesmo e dos outros passa a ser sentida de forma diferente, é como se tudo aquilo que antes pareciamuito sólido e estável agora é irreal.
Ao passar pela experiência da separação e aceitar a perda do passado por meio do enterro do antigo self, a alma libera-se das amarras de um senso de identidade previamente estabelecido. O fenômeno bastante familiar de ansiedade em relação à morte na meia-idade é, além da conscientização das verdadeiras limitações da vida, um reflexo desse processo...
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