nissan

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  • Publicado : 26 de maio de 2014
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Se alguém pode mudar uma grande empresa japonesa, esse alguém tem de vir de fora. Essa, pelo menos, é a lição que nos dá Carlos Ghosn, o brasileiro que assumiu a direção da grande montadora NISSAN em maio de 1999, com a missão de reverter os prejuízos e globalizar a empresa. Só alguém que não esteja imbuído da rígida cultura empresarial japonesa teria coragem para fazer o que Ghosn está fazendo.1. INTRODUÇÃO


A Nissan já foi a maior montadora japonesa e símbolo da indústria automobilística do país. Era uma espécie de General Motors de olhos oblíquos. Mas encaste-lou-se em si mesmo e recusou-se a aceitar o desafio da globalização. Fazia as coisas bem feitas, mas sempre da mesma maneira e nem tinha pressa. As decisões só eram tomadas por consenso e não podiam contrariar osinteresses de nenhum dos grupos envolvidos no processo. Como conseqüência, apesar de ter fábricas produtivas e alto nível de qualidade, a NISSAN deixou de atender aos desejos do comprador. Lançava carros insípidos, meras cópias (mal feitas) da TOYOTA. No Japão, a NISSAN vem rendendo participação no mercado há décadas e seus modelos são vendidos com deságio de US$400 em relação aos concorrentes.A saúde financeira da Nissan, devido aos sucessivos prejuízos, é hoje precária. Tem dívidas acumuladas de US$13 bilhões, mesmo depois de vender 35% de seu capital à Renault francesa.



2. A CHEGADA DO FORASTEIRO


Foi justamente a Renault que indicou Carlos Ghosn, um brasileiro radicado em Paris, para o cargo de “interventor” e salvador da Nissan. Após a compra da sua participação naempresa japonesa, a Renault convidou Ghosn (então seu vice-presidente de operações) para assumir a empreitada. Ghosn aceitou e foi para Japão em maio de 1999. Recebeu todos os poderes e toda a ajuda necessária, mas sabia que a sua era uma missão sem volta. Ou vencer, ou morrer. A Nissan não teria outra chance e a sua carreira estaria comprometida para sempre.
3. A SITUAÇÃO ENCONTRADA POR CARLOS GHOSNCarlos Ghosn viajou para o Japão, diretamente de Paris e assumiu imediatamente a direção da Nissan, com plenos poderes. “Na verdade, sou um interventor”, diz ele. A empresa que ele encontrou já havia sido a maior montadora japonesa, mas ainda tinha proporções gigantescas. Em 1998, suas vendas atingiram US$54 bilhões. A crise se instalou na Nissan há sete anos e desde então tem prejuízos todosos anos.


Naturalmente, várias tentativas já haviam sido feitas para reverter a situação, antes da chegada de Ghosn. Isto torna as coisas ainda mais difíceis, pois agora os funcionários tornaram-se incrédulos e dizem: “É apenas mais um que vai tentar e falhar”.


Mas, por que a Nissan chegou ao fundo do poço? Eles fazem tudo direitinho, são campeões japoneses de produtividade e qualidadetotal. Nas linhas de montagem, os operários instalam um motor com a mesma rapidez dos mecânicos nos “pits” da Fórmula –1. Mas, há muitos anos, a Nissan perdeu a vontade e a capacidade de introduzir inovações e mudanças realmente importantes. Seus modelos são insípidos e chegam sempre tarde ao mercado, porque copiam as tendências lançadas pela Toyota e pela Honda. Quando Ghosn chegou, a lei doconsenso (pela qual as decisões devem ser tomadas por unanimidade) dominava soberana. Assim, só eram tomadas as decisões que não afetassem os interesses das pessoas envolvidas.


As primeiras medidas de Ghosn foram traumáticas. Fechou cinco fábricas da Nissan e iniciou um processo de “enxugamento” da empresa que vai eliminar 21.000 postos de trabalho (14% do total de empregados) em três anos.Finalmente, instituiu um sistema de promoção por desempenho, desprezando o antigo sistema baseado na antigüidade.


O compromisso que Ghosn assumiu, e pelo qual será avaliado ao final, é o seguinte:


Compromisso básico de Carlos Ghosn
“Estancar as perdas até abril/2001 e voltar aos lucros no ano seguinte, transformando a Nissan em corporação global.”
Como se vê, um trabalho de Hércules que um...
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