Natureza e cultura

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ESCOLA ESTADUAL ASSIS CHATEAUBRIAND

FILOSOFIA – PROFESSORA: CIDA MÁRCIA

NATUREZA E CULTURA: a diferença entre o homem e as outras espécies animais.

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As meninas-lobo
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Na Índia, onde os casos de meninos-lobo foram relativamente numerosos, descobriram-se em 1920 duas crianças, Amala eKamala, vivendo no meio de uma família de lobos. A primeira tinha um ano e meio e veio a morrer um ano mais tarde. Kamala, de oito anos de idade, viveu até 1929. Não tinham nada de humano e seu comportamento era exatamente semelhante àquele de seus irmãos lobos.
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Elas caminhavam de quatro patas apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para ospequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos longos e rápidos.
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Eram incapazes de permanecer de pé. Só se alimentavam de carne crua ou podre, comiam e bebiam como os animais, lançando a cabeça para a frente e lambendo os líquidos. Na instituição onde foram recolhidas, passavam o dia acabrunhadas e prostradas numa sombra; eram ativas eruidosas durante a noite, procurando fugir e uivando como lobos. Nunca choraram ou riram.
Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu, humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de cinqüenta palavras. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos.
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Elachorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que cuidaram dela e às outras crianças com as quais conviveu.
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(B. Reymond apud Aranha e Martins, Filosofando, São Paulo; Moderna)

Através de centenas de milhares de anos os animais conseguiram sobreviver por meio daadaptação física. Os seus dentes e as suas garras afiadas, os cascos duros e as carapaças rijas, seus venenos e odores, os sentidos hipersensíveis, a capacidade de correr, saltar, cavar, a estranha habilidade de confundir-se com o terreno, as cascas das árvores, as folhagens, todas estas são manifestações de corpos maravilhosamente adaptados à natureza ao seu redor. Mas a coisa não se esgota na adaptaçãofísica do organismo ao ambiente. O animal faz com que a natureza se adapte ao seu corpo. E vemos as represas construídas pelos castores, os buracos-esconderijo dos tatus, os formigueiros, as colméias de abelhas, as casas de joão-de barro... E o extraordinário é que toda esta sabedoria para sobreviver e arte para fazer seja transmitida de geração a geração, silenciosamente, sem palavras e semmestres. Lembro-me daquela vespa caçadora que sai em busca de uma aranha, luta com ela, pica-a, paralisa-a, arrastando-a então para o seu ninho. Ali deposita os seus ovos e morre. Tempos depois as larvas nascerão e se alimentarão da carne fresca da aranha imóvel. Crescerão. E sem haver tomado lições ou freqüentado escolas, um dia ouvirão a voz silenciosa da sabedoria que habita os seus corpos, hámilhares de anos: “Chegou a hora. É necessário buscar uma aranha ...”
E o que é extraordinário é o tempo em que se dá a experiência dos animais. Moluscos parecem fazer suas conchas hoje da mesma forma como o faziam há milhares de anos atrás. Quanto aos joãos-de barro, não sei de alteração alguma, para melhor ou para pior, que tenham introduzido no plano de suas casas. Os pintassilgos cantam hoje comocantavam no passado, e as represas dos castores, as colméias das abelhas e os formigueiros têm permanecido inalterados por séculos. Cada corpo produz sempre a mesma coisa. O animal é o seu corpo. Sua programação é completa, fechada, perfeita. Não há problemas não respondidos. E, por isso mesmo, ele não possui qualquer brecha para que alguma coisa nova seja inventada. Os animais praticamente não...
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