Nascimento da lei moderna

877 palavras 4 páginas
Capítulo I - A admiração das coisas O pensamento de Santo Tomás se edifica sobre o fundamento já muito rico da cultura medieval. Ele é um teólogo que se abebera nas Escrituras e nas meditações dos principais Padres da Igreja que ele conhece muito profundamente, mas sua cultura não é puramente religiosa. A cultura profana que Santo Tomás se inspira também não se limita à filosofia, já que ele é um contemporâneo do florescimento do direito erudito provocado pela redescoberta do direito romano do qual tem certo conhecimento.
A tendência ao esquecimento das coisas Um dos fatores que explicam o certo desprezo pelas realidades temporais em proveito das realidades religiosas é a cultura do século XII, que possuía um aspecto essencialmente religioso. Nesse contexto, a ordem da natureza fica bastante obscura, e a inteligência não deve fazer esforço para penetrar nela, pois ela só será verdadeiramente compreendida graças a uma palavra divina que a virá revelar. Aparentemente, o lógos grego foi substituído pela Palavra divina que se expressa do Sinai até o final do Novo Testamento. Essa Palavra já era concebida em sua origem como um elemento exterior e transcendente. Assim, fica inútil interessar-se pelas coisas desse mundo e estas coisas são criaturas finitas, enganadoras. Elas não são capazes de indicar o que é certo; somente desencaminham nossos sentidos e nosso espírito de seu fim. A marca da transcendência é a capacidade de ficar livre com relação a toda ordem que não seja expressão adequada da vontade divina, que é capaz de dotar seus mandamentos como quiser. Já as cidades são um mal necessário, que há de ser tolerado, mas em si não possui valor. Esses temas já estão presentes no Antigo Testamento. A onipotência divina também se manifesta pela forma como são revelados os mandamentos. Como exemplo disso, temos Moisés, que recebe esses mandamentos de um Deus que lhe permanece secreto, e a revelação se faz somente por esses mandamentos transcendentes. Dessas

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