Nada resenha do livro "por que (não) ensinar gramática na escola"

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  • Publicado : 11 de abril de 2013
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Resenha do livro "Por que (não) Ensinar Gramática na Escola"
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1996. (Coleção Leituras no Brasil).
Os. Autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, publicou ainda: Discurso, estilo e subjetividade; Os humores da língua; Os limites do discurso: questões para analistas do discurso; Língua na mídia;Malcomportadas Línguas, Humor, língua e discurso.

Por que (não) ensinar gramática na escola desperta e prende a atenção do leitor desde o título. Ao utilizar o não entre parênteses, o autor remete à problemática questão que parece dividir gramáticos e linguistas. O livro, fruto da reunião de dois textos menores e escritos como resposta a pequenos desafios apresentados por outros pesquisadores,reúne as ideias do autor sobre o papel que a gramática exerce na educação e no ensino da língua materna, assim como as teses que embasam sua posição. Como apontado na introdução, não se trata de nada novo e (ou) inovador na área, apenas uma reunião de textos e opiniões acerca do uso da gramática na sala de aula.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, são apresentadas dez tesesbásicas, as quais Possenti aponta como essenciais para um bem-sucedido ensino de língua materna.

A primeira tese abordada pelo autor é a de que ‘O papel da escola é ensinar língua padrão’, em que defende que a escola deve realmente criar condições para que o português padrão seja aprendido, independentemente de quais dialetos, diferentes do padrão, sejam utilizados pelos alunos. Possenti defende que,do ponto de vista cognitivo, um falante pode dominar várias línguas ou dialetos, e que o único erro quanto ao ensino do português padrão seria sua imposição a quem não o fala usualmente. O autor é muito coerente em sua descrição de língua padrão, como sendo a capacidade de escrever e ler. O domínio dessas duas habilidades é essencial para o aprendizado eficaz de qualquer língua.

Em ‘Damosaulas de que a quem?’, Possenti discorre sobre a necessidade que têm professores e escola de possuírem uma concepção clara do que seja a língua e do que seja uma criança. Segundo ele, tal conhecimento revelaria o sucesso das crianças em aprender as regras necessárias para se comunicar através da fala. Por mais complexas que sejam as línguas, as crianças são perfeitamente capazes de aprendê-las. Oautor chama a atenção para a existência de dois processos através dos quais seres humanos adquirem conhecimento: repetição exaustiva de certos movimentos, semelhante ao treinamento de animais; e habilidades adquiridas de forma mais criativa, alicerçadas na consideração e teste de hipóteses. O autor é bem claro ao identificar a prática de ensino atual como pertencente à técnica da repetição exaustiva.Sua visão e distinção entre as duas formas de aquisição de conhecimento é pertinente e totalmente relevante a quem deseje oferecer aos  alunos um ensino de qualidade.

Em ‘Não há línguas fáceis ou difíceis’, ele apresenta noção sobre as línguas possuírem igual complexidade e semelhança estrutural, conclusão que se baseia no reconhecimento da inexistência de línguas primitivas e, portanto, maissimples. Esse equivocado julgamento de valor sempre se apoiou na oposição entre primitivo e civilizado. O autor conclui que não é mais fácil estudar um dialeto, ou língua, do que outro(a), e que um falante de uma língua ou dialeto deve ser considerado tão capaz quanto o falante de outra variação linguística. Essa tese poderia ser melhor representada, se utilizados exemplos reais de dois dialetos,um considerado inferior e outro adequado, encontrados em sociedade.

Com ‘Todos os que falam sabem falar’, o autor desconstrói outro preconceito linguístico. Ao ignorar o contexto social e cultural em que surge uma variação linguística, julgando seus falantes de acordo com um contexto que lhes é estranho, acaba-se por condená-los, considerando-os ultrapassados e inferiores. Possenti demonstra...
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