Nível filosófico

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UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia Introdução à Filosofia – DFCH Professor: José Carlos Simplício Texto da discussão: “ Nível filosófico” do livro Conversas com quem gosta de ensinar de Rubem Alves

Nível filosófico
Autor: Rubem Alves (Boa Esperança, 15 de setembrode1933) é um  psicanalista,   educador,   teólogo   e   escritor   brasileiro,   é   autor   de  livros   e  artigos   abordando   temas   religiosos,   educacionais   e  existenciais, além de uma série de livros infantis. (Fonte: Wikipedia).    Cabe lembrar que por suas análises no campo da religião e da política foi  duramente perseguido durante o Regime Militar e teve sérios problemas  com o protestantismo conservador, bem como com a Igreja.
Em linhas gerais Rubem Alves faz em seu texto “Nível filosófico”uma critica do modo como convencionamos ler o mundo. Para isso utiliza-se do contraste entre conhecimento científico x conhecimento ou “nível” filosófico. Para ele a Realidade é um todo organizado segundo interesses deliberados. Vê no cientista um obcecado pelo conhecimento sem perscrutar sua disposição nesse espaço organizado. O cientista seria o sujeito que “recortando” parte do todo organizadodedica-se unilateral e simplesmente a aperfeiçoá-lo tal como está. O filósofo não! O filósofo é um rebelde, cuja arma é o questionamento das estruturas postas. O filósofo é um provocador que tem como missão diluir a organização das coisas e mudar a sua face sob novo ângulo. Nesse sentido o filósofo não deixa de ser também o indivíduo que incomoda, que perturba, que traz o caos da desordem naquelecenário anteriormente aceito e bem organizado, onde nascemos, crescemos e morremos. Traduzindo isso em exemplo seria como assistirmos o trabalho de um cientista e um filósofo dentro de uma sala de aula, por exemplo. O primeiro, dedicado ao afã de progresso se consumiria em descobrir como melhorar as cadeiras para evitar males de colunas no estudante, como dispor melhor as janelas para que o arcircule de modo mais perfeito ou como combater o fungo que a parede apresenta e que causa alergias respiratórias... O segundo não! O segundo não se preocupa com a dor de coluna, com a ventilação ambiente ou se a bactéria seja aeróbica ou anaeróbica... Está preocupado em saber porque disseram que as cadeiras devem ficar umas atrás das outras, porque que se usa uma sala de aula e não uma sombra deárvore sob a relva. E se o primeiro grita: “Descobri a que classe pertence o fungo da parede” o segundo destoa: “Talvez não precisasse ter parede aqui...” O problema é que Rubem Alves, de clara formação marxista se vale, como tantos outros, do materialismo histórico dialético para produzir sua crítica. Sentencia ele ao final: “creio que são os interesses e aspirações dos que sofrem que devem seconstituir na matéria-prima da reflexão filosófica.” E chega a ser abusivo: “Diria que a missão do filósofo é sentir os sofrimentos dos oprimidos, ouvir as suas esperanças, elaborá-las de forma conceptual a um tempo rigoroso e compreensível, e devolvê-las àqueles de onde surgiram.” Esquece o Educador, entretanto, que o mundo não é só dos que sofrem... A realidade é um conjunto complexo onde a ferramentamaterialista de ler o mundo é antiquada e distorcida. Concentrar-se nesse método é afirmar a injustiça dessa igualdade sonhada. Não são homens que criam diferenças, mas o Universo o faz assim. A natureza cria diferentes e a própria essência dessa

diferença é o que poderíamos chamar de igualdade real. Reduzir o problema do homem às contingências materiais é usurpar o caminho do progressouniversal, mutilá-lo, estagná-lo. E a coisa é tão grave que ele se contradiz. No início afirma: “A tarefa filosófica implica, assim, duas fases: a primeira, crítica; a segunda, criativa.” O filósofo é posto como ser criador, o poeta do Fiat lux e depois nega: “A tarefa do filósofo não é gerar mas partejar, não criar mas permitir que aquilo que está sendo criado venha à luz.” Aí o filósofo não passa...
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