Não nascemos prontos

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O Autor – Mário Sérgio Cortella
Professor de Filosofia da Religião, da PUC – São Paulo, muito conhecido por um antigo programa
da TV Cultura, “Diálogos Impertinentes”.
A Obra – Não nascemos prontos
Extremamente instigante, traz o subtítulo sugestivo de “provocações filosóficas”. Consta de trinta e
sete “pensatas”, pequenos trechos onde o autor captura questões cotidianas fundamentais,lançando desafios que nos estimulam a reflexão e busca do conhecimento.
A grande proposta de abertura do livro vem de “O Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa:
“O animal satisfeito dorme”
Um dos mais profundos alertas para não cairmos nos riscos da monotonia existencial, da
redundância afetiva e da indigência intelectual.
O fenômeno da substituição da arte pelo entretenimento nos remete ainexistência de desafio
intelectual. O único objetivo é o de manter as pessoas quietas, mantê-las como estão. Fala o
óbvio, o que todo mundo quer ouvir, sem desafio algum. Exemplos: Sula Miranda, Faustão, Big
Brother...
Aliás, o Programa “Big Brother” lembra o Colisseu romano, onde o público decidia sobre a vida e a
morte das envolvidos na trama. O nome “Big Brother” (Grande Irmão), vem doprincipal
personagem da obra “1984”, do indiano filho de inglês, George Orwell. O Grande Irmão manipula,
controla... Trata-se da quinta essência do entretenimento grotesco. A regra do jogo: é proibido
cooperar; se destruirmos o outro, vencemos. A platéia nega valores básicos de respeito,
afetividade... o único valor do programa é o de mercado!

Temos, também, o riso grotesco. No “Casseta ePlaneta”, por exemplo, se ri do outro, da tragédia
alheia.
O esvaziamento de valores chega a tal ponto que a socialite Vera Loyola contrata quarenta
homens para “latir” o parabéns a você para a sua cachorra.
Nós evoluímos ou involuímos (depende do ponto de observação), do SER para o TER e, agora,
para o PARECER.
“O animal satisfeito dorme”. É a pessoa que se sacia... e dorme. Dorme existencialmente.Esse
“dorme” é bem mais profundo do que aparenta...
O estreitamento perceptivo torna as pessoas tremendamente vulneráveis, pouco adaptáveis e
facilmente estressáveis. Hoje já fala-se da ZAP SÍNDROME. Existem vários mecanismos de
stress, um dos maiores é a divisão da atenção, o “zapear” no controle remoto (daí o nome da
síndrome) é um exemplo típico!
Síndrome é um conjunto de sintomas comunsentre várias doenças. O stress continuado (fuga,
luta) está presente na raiz da maioria das doenças modernas.
Tacocracia ou Taquicracia
A dominação do rápido em todas as áreas, em um padrão despótico e como parâmetro de
qualidade.
Entre as frases mais freqüentes em um restaurante de comida à quilo: será que via dar tempo,
estou com pressa... O ato de comer deixou de ser ritualístico!Abandonamos completamente as unidades de espaço para medir distâncias. Pela primeira vez na
história, priorizamos as unidades de tempo.
A menor unidade de tempo com que lidamos no nosso cotidiano é o segundo. A física quântica
nos fala do bilionésimo do bilionésimo de segundo, mensurado com um relógio de césio.
Sensação de pressa captada por um romano do século V aC:
“Os deuses instilaram ansiedadeno primeiro homem que descobriu como distinguir os horários.
Os deuses instalaram mais ansiedade ainda no homem que criou o relógio de sol”
A Taquicracia tem mais a ver com pressa do que com rapidez. Pressa significa literalmente
espremido, quando estou com pressa estou espremido entre eu e eu. A pressa nos leva a três
sérias intolerâncias (e hoje somos legiões de intolerantes!): à espera, aoesforço e ao diálogo.
Além das mencionadas intolerâncias, uma conseqüência pessoal desta tacocracia, é a hipotrofia
de sentir, junto a hipertrofia do medir. O único país que perdeu a manifestação da arte culinária foi
os Estados Unidos, com os fast-foods, exemplo da hipotrofia do sentir. Os países menos obesos
do planeta são Itália e França, países que não adotaram o fast-food.
“Está...
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