Murray schafer em limpeza de ouvidos: um curso de música experimental

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  • Publicado : 11 de março de 2013
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Murray Schafer em Limpeza de ouvidos
Um curso de música experimental...


"Esta é a razão porque chamei o chamei de um curso de limpeza de ouvido. Antes do treinamento auditivo é preciso reconhecer a necessidade de limpá-los. Como um cirurgião, que antes de ser treinado a fazer uma operação delicada, deve adquirir o hábito de lavar as mãos. Os ouvidos também executam operações muitodelicadas, o que torna sua limpeza, um pré-requisito importante a todos os ouvintes e executantes de música." ( Schafer, 1991:66)


Schafer em seu curso de música experimental sugere uma limpeza de ouvido. Na visão do autor um ouvido sujo é aquele que não pensa, não distingue a princípio, a diferença que há entre os ruídos e os sons musicais.
É possível se considerar dentro da abordagem de MurraySchafer que uma música pode ser ruidosa? A definição de Schafer é que ruído é “o destruidor do que queremos ouvir”, quando vontade de ouvir é característica de um ouvido pensante e não apenas uma predileção de estilos musicais. Como se sentiria um regente de coro ao ensaiar diante de ruídos de falas, risos, murmúrios, etc. nos intervalos de continuidade de uma música a outra? Porque é queestudantes de música às vezes são mais ruidosos em sala de aula? Talvez isto esteja relacionado ao modo como estes interagem com os sons em um tipo de insensibilidade musical.
Seguindo a linha de pensamento de Schafer poder-se-ia dizer que a sujeira dos ouvidos “musicalizados”, porém, inexperientes à altura do que o autor pretende apresentar sobre a experimentação de suas aulas, é que o som origina-se domais profundo silêncio de onde se podem escutar os melhores PPPs e se intimidam os FFFs. Por quê? Porque há menos ruído e onde há menos ruído, há mais som, timbre, amplitude, melodia, textura e ritmo; uma completa paisagem sonoro-musical. A tendência de muitas pessoas, entretanto, é a de sobressair-se ao som ou ruído dos outros; busca-se o som e não a sua origem.
Como é instigante a expressãoenunciada com as seguintes palavras “o silêncio soa”. De acordo com Schafer, o silêncio não é completamente mudo. Ele diz de si algo musicológico, pois, transmite reverberações, protege acontecimentos sensíveis, faz-nos passear no mundo das freqüências, enésimas possibilidades de dinâmicas, leva-nos a pureza senoidal e a refinação total de tudo que se ressoa, inclusive a si mesmo, a última dinâmica,total escuridão auditiva, o próprio, ele mesmo, o silêncio.
O belo do contrastante dos sons está no silêncio, porém, roubamos sua beleza quando fazemos um mundo de fábricas de ruídos da modernidade. Afinal de contas o silêncio existe, mesmo? De acordo com a Física o som se propaga em série harmônica “inaudível”, então, o silêncio é apenas uma nebulosidade misteriosa da existência do própriosom. O último silêncio é aquele de que somos capazes de ouvir morrendo para uma nova vida, um novo corte, o som ressurgindo-se da escuridão. O autor sugere de suas aulas na sensibilidade de ouvirem-se os sons do próprio corpo, uma diferenciação entre adultos e crianças. Nós, adultos estamos mais acostumados com os ruídos, incapacitando-nos de reconhecer o silêncio que poderia proteger a nossapercepção do mundo que vivemos como mortos auditivos.
O som é uma atividade monótona? Antes de responder a esta questão, deve-se primeiramente considerar o que o autor afirma a respeito da bidimensionalidade do som. Ele sozinho, monofônico, não é insignificante, mas o trampolim para tudo aquilo que o mantém, seu ambiente, sua sala, seu estúdio, etc. diferentes particularidades de sua expansão, oelemento da acústica sendo levada em conta. Há também o que naturalmente o colore no quadro de sua reprodução; amplitude e timbre são exemplos citados pelo autor. Aqui em suma, dá-se ao som uma expressão de aspectos “quadridimensinonais” num ambiente de circularidade acústica sugerida no exercício 5 da página 75 numa busca de mantê-lo vivo.
Saber da riqueza dos timbres na força da união sonora...
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