Mundo Virtual

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UM DIA SEM COMPUTADOR

O que fazer num dia sem computador? Existe um mundo de coisas contido nesta pergunta. Primeiro, e antes de tudo, se trata de um dia sem cliques. Sem Google, sem Reuters, sem BBC de Londres, sem Wikipédia, sem Gmail, sem Kotscho, sem UOL, sem YouTube, sem Josias, sem Word, sem Photoshop, sem copy e paste, sem zoom, sem abrir nada, sem fechar nada, sem salvar nada. Semmensagem para Luiz Egypto. Sem digitar nada. Sem pesquisar no Houaiss, no Aurélio. Sem acessar CartaCapital. Sem queimar disco, sem usar este Nero que homenageia aquel´outro que, num dia enfadonho, tocou fogo em Roma. E, no meu caso, sem atualizar o blog Cidadão do Mundo. E sem canibalizar pensamentos completos a fim de contê-los nas cercanias farpadas do Twitter.

E vejo que tantas são as coisasque faço com o computador ligado. E são "coisas" tão rotineiras que, somente ao pensar em um dia sem computador, me dou conta do muito que é minha interação, minuto a minuto, hora a hora, com o computador. Ficar um dia sem computador é como ficar um dia sem enxergar ou sem comer, ou sem ouvir, ou sem pensar? O mundo que vejo é aquele que diz presente mediado por um monitor de 24 polegadas. O quecabe no monitor é do tamanho do mundo, vasto mundo, que vejo. Mas será mesmo este o mundo em que desejo viver?

Vocábulos dicionarizados

E, no entanto, reza a lenda que medos, persas e fenícios nasciam, cresciam e morriam sem ao menos fazer uso de computador. Estes povos não abriam programas, percorriam livros. Não salvavam documentos, acessavam memórias. Não digitavam documentos, escreviammensagens. Não clicavam na tecla "enviar" para que as notícias viajassem o mundo, deslocavam-se a agências dos Correios, escolhiam o selo, lambuzavam a goma arábica, observavam o envelope enrugar, criar ondulações, pagavam e saíam felizes da vida por saberem que a mensagem já estava "a caminho". A lenda informa também que descendentes de gregos e romanos não sabiam o que seria passar um par de horaspor dia interagindo com amigos no Facebook e no Orkut, adicionando fotografias num e noutro, apagando mensagens cheias de emoticons, recebendo cutucadas virtuais, esboçando sorrisos, devolvendo cutucada virtual e aferindo quem está online.

O tempo passou, testemunhou as revoluções científicas de Thomas Kuhn e desaguou em nossos dias. Eu que era tão proficiente em inglês, que sabia muito bemafirmar the book is on the table e me descubro hoje executando dezenas de rotinas no idioma do bardo Shakespeare. Estranhando o fato que o português e tantas outras línguas eram simplesmente marginalizadas na linguagem dos que interagem com computadores fui ao Aurélio. Para minha surpresa constatei que já se encontram dicionarizados vocábulos como deletar, escanear, hardware, software, site, homepage, online. E se antes marcava com alguns amigos uma tarde de vôlei, uma pelada, uma partida de xadrez, hoje assisto o campeonato de vôlei, a pelada e a partida de xadrez no próprio computador. O xadrez perdeu terreno e o barato mesmo é jogar pôquer online.

O mundo virtual é muito real

Velhos tempos, belos dias. Hoje não perco tempo marcando encontros, ligo o computador e confiro quem estáonline. Para uns, fico invisível, para outros, revelo-me de corpo inteiro, com direito a imagem e a voz. Encontro todo mundo ao mesmo tempo e a qualquer momento. O bar da esquina, o encontro na praça ou no shopping foi substituído sem dó nem piedade por encontros virtuais: você fala de lá que falo de cá, ri de lá que rio de cá. E se o monitor não é dos melhores nem consigo mais distinguir o brilhodos olhos, o sorriso no canto da boca, o ar de cabeça nas nuvens que tantos amigos meus, apesar dos anos, ainda conservam como característica mais gritante.

Antes, ouvir a fala presidencial era uma espécie de acontecimento. Havia toda a tal da liturgia do cargo. E isso acontecia em momentos especiais, dentre estes na noite do 7 de setembro. E tudo era visto através daquela TV de válvula, marca...
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