Mulheres

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Fonte : site 02/05/2012
http://www.iprb.org.br/artigos/textos/art151_199/art159.htm

Flat James de Souza Martins
é pastor da IPRB desde 1992.
Docente no Seminário Presbiteriano Renovado
de Cianorte, Paraná.
Artigo publicado no Jornal Aleluia
de fevereiro de 2008, p. 11.
A mulher na história
Durante muito tempo a história foi escrita sob a ótica masculina e pela classe hegemônica.Portanto, esse tipo de estudo produziu um material restrito, refletindo apenas sobre a figura do homem como sujeito universal. Suas relações expressavam somente uma versão da história.
A figura da mulher raramente era apresentada pelos historiadores, só aparecia marginalmente na história. Margareth Rago defende que “todo discurso sobre temas clássicos como a abolição da escravatura, a imigraçãoeuropeia para o Brasil, a industrialização, ou o movimento operário, evocava imagens da participação de homens robustos, brancos ou negros, e jamais de mulheres capazes de merecerem uma maior atenção”.
Surge a pergunta: e a mulher onde estava durante todo esse tempo? Estava confinada ao espaço da vida privada, envolvida no cuidado com o lar, na educação dos filhos, na atenção com o marido; ocupadademais para ser percebida pela história, que até então se limitava em tratar da vida pública, domínio quase que exclusivo dos homens.
Na perspectiva da historiadora Joan Scott, somente nas últimas duas décadas é que a “história das mulheres” se definiu. Segundo Margareth Rago, a política feminista dos anos 60 foi o ponto de partida. As integrantes do movimento reclamavam uma história onde houvesseheroínas, demonstrando a atuação das mulheres na sociedade. Lutavam também para que a opressão que as sufocava fosse denunciada pela história.
Segundo Joan Scott, tanto profissões, quanto organizações profissionais são hierárquicas. Ou seja, incluem e excluem indivíduos da qualidade de membros, segundo seus próprios critérios; aqueles já profissionais atuantes se reservam o direito de julgaraqueles que ainda estão fora do campo profissional. “As mulheres, os negros, os judeus, os católicos e os não-cavalheiros foram sistematicamente subapresentados durante anos”.
Para Margareth Rago, o movimento feminista, anunciando suas reivindicações à sociedade, foi o princípio da inclusão das mulheres no espaço público do mercado de trabalho. Com a conquista desse novo espaço na sociedade elaspassaram a ser notadas pelos historiadores.
Scott menciona o dilema da diferença homem-mulher, de acordo com Martha Minow, que explica que o dilema se dá pela própria construção da linguagem, onde o termo universal usado para se referir ao ser humano é “Homem”. É possível ainda perceber que a discriminação com a mulher está registrada na própria língua portuguesa, visto que a língua acaba porrefletir a cultura do povo através de junções de características comuns.
De acordo com Maria Eunice Figueiredo, o significado do termo "mulher", encontrado no dicionário, é um tanto discriminatório. Já em relação ao termo homem, não se pode dizer o mesmo.
Guedes afirma, citando Scott, que a mulher está fora do inominável, a linguística está construída no masculino. De acordo com Scott: “... reivindicara importância das mulheres na história significa necessariamente ir contra as definições de história e seus agentes já estabelecidos como verdadeiros ou pelo menos como reflexões acuradas sobre o que aconteceu (...) no passado”.
O domínio que os historiadores objetivavam ter do passado era parcial, já que, pelo que se pode ver na maioria das produções historiográficas, somente o homem apareciaenquanto sujeito da história. Através dos estudos realizados, eles privilegiavam apenas uma versão da história, que retratava a vida pública, esfera na qual a mulher por muito tempo não existiu.
Nesse sentido, existe ainda o problema das fontes. A historiadora Michele Perrot afirma: “há uma carência de pistas no domínio das fontes com as quais se nutre preferencialmente o historiador, devido à...
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