mulheres escravas

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MULHERES ESCRAVAS São sete horas da manhã, hoje é uma sexta-feira. Já estamos em novembro de 1.987, no final da estação chuvosa. Aqui na Guiné Bissau este cantinho gostoso da África. A chuva cai quase todos os dias de maio a outubro, produzindo um enorme lençol verde em toda a savana, ornamentando-a com flores silvestres e belas aves exóticas. A região de Bafatá é “Chão” das tribos muçulmanas Fulas e Mandingas. Na nossa rua o movimento é incomum desde a madrugada, deixa antever que algo está para acontecer. Talvez uma cerimônia importante seguida de festa. As mulheres africanas estão chegando a todo o momento, exibindo seus “panos novos” e os cabelos tecidos formando penteados complicados. As bailarinas trazem chocalhos em volta da cintura e dos tornozelos. Os jovens e senhores chegam com seus tambores. Desde a madrugada ouvíamos o barulho dos pilões. São as mulheres preparando o arroz, a mancarra e o “xebem”. Elas pilam em três ou quatro para cada pilão, produzindo um som cujo arranjo musical foi composto, segundo eles, pelos deuses africanos. Os movimentos que uma mulher faz ao levantar e baixar a mó do pilão leva o seu corpo a obedecer ao compasso da música, produzindo assim uma dança perfeita. A mulher africana não necessita aprender a dançar. Ela já nasce sabendo.
Traz esse conhecimento desde a sua infância. Muitas e muitas vezes ainda no ventre da mãe ou amarrada às suas costas ela dançou ou ouviu aquela música. Está chegando a nossa casa o jovem Kebá, meu professor da língua Fula. Kebá é um moço talentoso. Possui grande conhecimento nos usos e costumes de sua tribo. É muçulmano praticante e professor da Língua Portuguesa na escola da cidade. Com muito jeito – para Kebá não notar a minha curiosidade – lhe faço uma pergunta objetiva. – Então, o quê está acontecendo na casa do vizinho? Ele me responde: – Não é nada. É apenas a festa de Mariama! De início pensei logo que se tratava de aniversário. Mariama tinha apenas seis anos,era uma menina

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