Mulheres de holanda

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  • Publicado : 23 de março de 2012
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INTRODUÇÃO


Discutir temas femininos é, no mínimo, uma iniciativa bastante polêmica, uma atitude que muitos considerariam antiquada, outros desnecessária ou irrelevante.
Mas o fato é que, goste-se ou não, certo ou errado, as questões em torno do mundo feminino mobilizam espíritos e mentes nos mais variados campos de manifestação da criatividade humana.
Em se tratando deChico Buarque, temos a oportunidade de experimentar através de suas melodias e letras, que falam do nosso tempo, o cotidiano de nossas vidas.
Chico é visto como um artista popular, mas um popular cuja qualidade artística é capaz de nos elevar o espírito, de nos emocionar, ao mesmo tempo, nos fazer refletir.
Primeiramente traçamos o perfil que o compositor construiu ao longo de suacarreira, mostrando suas variadas facetas. Chico, o amante; Chico, o trovador; Chico, o malandro; Chico, o político; Chico, o cronista.
Mas são as incursões na alma feminina, que constituem um dos traços mais característicos da obra do compositor, que abordaremos neste estudo. É na visão de homem esclarecido do seu tempo que Chico Buarque consegue pôr-se no lugar da mulher. Com extremasensibilidade , sem partir de um ponto de vista estritamente masculino, mas usando o seu eu-masculino desnuda a alma feminina nos seus afetos e desafetos, nas histórias de amor e desamor.
É no contexto de uma relação afetiva que se flagra o fundamental do feminino. Assim, desde a mulher ingênua, da janela, até a prostituta Geni, temos a poderosa lírica de Chico Buarque, mostrando a mulher emvárias vidas e tratando sobretudo do desejo humano.






1. BIOGRAFIA
No dia 19 de junho de 1944, na Maternidade São Sebastião, no Largo do Machado, Rio de Janeiro, nasce Francisco Buarque de Hollanda, o quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim.
Aos cinco anos de idade parece surgir seuprimeiro interesse pela música, materializado sob a forma de um álbum de recortes com fotos de cantores do rádio. Um ano mais tarde, ao partir de viagem para a Europa, se despediria da avó com um profético bilhete: "Vovó, você está muito velha e quando eu voltar eu não vou ver você mais, mas eu vou ser cantor de rádio e você poderá ligar o rádio do Céu, se sentir saudades".
Em 1953 muda-se paraa Itália e compõe suas primeiras "marchinhas de carnaval" e torna-se trilingüe, falando inglês na escola (norte-americana) e italiano nas ruas.
De volta ao Brasil a família Buarque de Holanda muda-se para um casarão na rua Buri, a poucos quarteirões do estádio do Pacaembu. Apaixonado pelo futebol, mas sem se afirmar profissionalmente, alguns amigos brincam, afirmando que Chico só se tornoumúsico porque não conseguiu brilhar no futebol.
Na escola é sempre visto com um livro na mão. Lê os clássicos da literatura francesa, alemã e russa, e só se interessa pela literatura brasileira depois que um colega o critica por ler apenas estrangeiros. É repreendido por desfilar pelo colégio com um raro exemplar da primeira edição de Macunaíma, de Mário de Andrade, retirado da estante dopai.
Em 1959 Chico Buarque já mostrava um grande interesse pela música. Além dos sambas tradicionais de Noel Rosa, Ismael Silva, Ataulfo Alves, também ouvia canções estrangeiras. Entre os seus preferidos estavam o francês Jacques Brel e os norte-americanos Elvis Presley e o grupo The Platters. Mas foi o disco Chega de saudade, de João Gilberto, que alterou definitivamente sua relação coma música. Ele o ouvia tão insistente e repetidamente que chegava a irritar os vizinhos. Nem mesmo sua irmã Miúcha, que mais tarde se casaria com João Gilberto, agüentava ouvir sempre o mesmo som. Seu sonho, na época, "era cantar como João Gilberto, fazer música como Tom Jobim e letra como Vinícius de Moraes". É deste ano a primeira composição de que ele se lembra, Canção dos olhos.
No...
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