Moura, cristina patriota. “vivendo entre muros: o sonho da aldeia”

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RESUMO de: MOURA, Cristina Patriota. “Vivendo entre muros: o sonho da aldeia” in Velho, Gilberto e Kuschnir, Karina (2003) Pesquisas Urbanas. Desafios do trabalho antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. pp.43-54, 2003.
















Neste ensaio a autora tem como tema a questão dos condomínios fechados. Traz uma reflexão sobre o estudo das implicações da vidasocial nestes espaços que emergem nas cidades, a partir de seus moradores, visitantes e empregados.
Cristina inicia o texto apontando a diferenciação de grau de “urbanidade” entre as diversas cidades, que apesar de partilharem fenômenos e bases de estruturação comuns, como o individualismo, o cosmopolitismo, e o anonimato; diferem entre si no nível em que estes fenômenos se apresentam etambém internamente segundo a opção dos diversos grupos que nela vivem. A autora cita Louis Wirth para apontar isso e mostrar que o raio de influencia da cidade se alastra para tudo que está em volta dela.
A autora afirma que a pesquisa em meio urbano e no contemporâneo tem trazido novos desafios, diante da pluralidade de mundos simbólicos existentes e que se sobrepõe através dos indivíduossuas escolhas e suas metamorfoses cotidianas. Aqui ela traz a noção de projeto de Gilberto Velho como a característica mais marcante das cidades.
Moura discute um pouco a respeito da etnografia no meio urbano e suas nuances. Aponta principalmente que em meio as Sociedades Complexas a diversidade de experiências reflete a própria diversidade do campo no meio urbano complexo. Aponta aindaque: “[...] os antropólogos cada vez mais compartilham visões de mundo e formas de produção de conhecimento, não só com outros antropólogos em situações semelhantes, mas também com grupos pesquisados.” (MOURA, P.44). A relação entre pesquisador e pesquisado torna-se na verdade uma relação entre pesquisador e interlocutores de pesquisa.
A autora apresenta sua pesquisa em meio urbano e sobreos condomínios fechados em dois contextos. No primeiro caso refere-se a sua experiência no condomínio Aldeia do Vale. Já no segundo refere-se a sua experiência em outro condomínio, o Monte Verde, que inclusive ela é moradora.
Comentando uma análise de Gilberto Velho, Cristina Moura coloca que os condomínios fechados e a “metafórica redoma de vidro” estão se tornando fato comum no meiourbano das médias e grandes cidades. Contrasta com Herbert Gans afirmando que as aldeias urbanas que ela pesquisa não são nichos tradicionais dentro da cidade-metrópole, como bairros populares e com costumes pertinentes, mas sim um outro tipo de aldeia, um novo tipo de morada escolhida pelas elites e por parte da classe média como nova forma de moradia.
A autora afirma que o numero decondomínios fechados dobrou nos últimos cinco anos no Brasil. Seu interessem em pesquisar esse tema surgiu diante de um “choque cultural” que tomara na cidade de Goiânia. Ao visitar a moradia de amigos, também professores universitários, ela se deparou com guardas com metralhadoras, cercas eletrificadas, holofotes, e um bairro “escondido” e cheio de mansões.
O “Aldeia” como é chamado pelosmoradores, possui 11 quilômetros de muros sendo o maior bairro da cidade em, termos de extensão, mas com pouca densidade demográfica. A maioria dos moradores são famílias que ocupavam apartamentos em bairros nobres da cidade. O “aldeia” é anunciado como “condomínio ecológico” nos discursos oficiais e também dos moradores, que enfatizam o contato com a natureza.
A autora fala das peculiaridades deentrada e saída do condomínio, como a demora, o cadastro com foto e senha, as revistas nos pertences dos empregados, além das questões físicas-espaciais como os muros de três metros, as diversas câmeras, cancelas e guardas armados. A autora fala também de outras situações constrangedoras geradas pela dificuldade e extremos controle dos acessos e saídas do condomínio.
Cristina Moura...
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