Morte e vida das grandes cidades

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  • Publicado : 23 de outubro de 2012
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MORTE E VIDA DAS GRANDES CIDADES – Jane Jacobs

Jacobs defende a diversidade (mescla de usos e usuários, bem como de edificações de idades e estados de conservação variados) como único meio capaz de garantir a vitalidade urbana, observando a cidade do ponto de vista de quem a pratica cotidianamente.
Há males sociais profundos e complexos por trás da delinquência e da criminalidade, tanto nossubúrbios e nas cidades de pequeno porte quanto nas metrópoles. É suficiente, por enquanto, dizer que, se pretendemos preservar uma sociedade urbana capaz de diagnosticar problemas sociais profundos e mantê-los sob controle, o ponto de partida deve ser, em qualquer circunstância, encorajar as forças viáveis para a preservação da segurança e da civilização – nas cidades que temos. Construirdistritos onde comumente são praticados crimes banais é idiotice. Ainda assim, é isso o que fazemos.
A primeira coisa que deve ficar clara é que a ordem pública – a paz nas calçadas e nas ruas – não é mantida basicamente pela polícia, sem com isso negar sua necessidade. É mantida fundamentalmente pela rede intrincada, quase inconsciente, de controles e padrões de comportamento espontâneos presentes emmeio ao próprio povo e por ele aplicados.
A segunda coisa que se deve entender é que o problema da insegurança não pode ser solucionado por meio da dispersão das pessoas, trocando as características das cidades pelas características dos subúrbios. Se isso solucionasse o problema do perigo nas ruas, Los Angeles deveria ser uma cidade segura, porque superficialmente é quase um subúrbio.
É umacoisa que todos já sabem: uma rua movimentada consegue garantir a segurança; uma rua deserta, não.
Uma rua com infraestrutura para receber desconhecidos e ter a segurança como um trunfo devido à presença deles – como as ruas dos bairros prósperos – precisa ter três características principais:
Primeira, deve ser nítida a separação entre o espaço público e o espaço privado. O espaço público e oprivado não podem misturar-se, como normalmente ocorre em subúrbios ou em conjuntos habitacionais.
Segunda, devem existir olhos para a rua, os olhos daqueles que podemos chamar de proprietários naturais da rua. Os edifícios de uma rua preparada para receber estranhos e garantir a segurança tanto deles quanto dos moradores devem estar voltados para a rua. Eles não podem estar com os fundos ou umlado morto para a rua e deixá-la cega.
E terceira, a calçada deve ter usuários transitando ininterruptamente, tanto para aumentar na rua o número de olhos atentos quanto para induzir um número suficiente de pessoas de dentro dos edifícios da rua a observar as calçadas.
Por definição, mais uma vez, as ruas da cidade devem ocupar-se de boa parte da incumbência de lidar com desconhecidos, já que épor elas que eles transitam. As ruas devem não apenas resguardar a cidade de estranhos que depredam: devem também proteger os inúmeros desconhecidos pacíficos e bem-intencionados que as utilizam, garantindo também a segurança deles.
Por alto, parece que temos algumas metas simples: tentar dar segurança às ruas em que o espaço público seja inequivocamente público, fisicamente distinto do espaçoprivado e daquilo que nem espaço é, de modo que a área que necessita de vigilância tenha limites claros e praticáveis; e assegurar que haja olhos atentos voltados para esses espaços públicos da rua o maior tempo possível.
O requisito básico da vigilância é um número substancial de estabelecimentos e outros locais públicos dispostos ao longo das calçadas do distrito; deve haver entre elessobretudo estabelecimentos e espaços público que sejam utilizados de noite. Lojas, bares e restaurantes, os exemplos principais, atuam de forma bem variada e complexa para aumentar a segurança nas calçadas.
Os bares e, na verdade, todo o comércio, são malvistos em vários bairros precisamente porque atraem estranhos, e estes de forma alguma são encarados como uma vantagem.
Como esses bairros são...
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