Morte: valores e dimensões

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Simpósio: MORTE: VALORES E DIMENSÕES Capítulo III

Visão da Criança sobre a Morte
CHILDREN´S VIEW ON DEATH



Resumo: Modelo de Estudo: Relato de casos. Objetivos do estudo: Rever alguns aspectos da literatura sobre a criança frente à morte integrando-os com experiências clínicas. A morte é algo desconhecido, inquieta-nos e leva a busca da compreensão do início e do fim. A criança vivenciaquestões relacionadas ao tema da morte e pode expressar sua experiência nessa realidade, cognitiva e afetivamente.Existem várias pesquisas sobre a compreensão da morte pela criança, relacionando essa compreensão com o nível de desenvolvimento global da criança. É possível identificar três componentes do conceito de morte na criança: irreversibilidade (impossibilidade de retornar ao estadoanterior, morte do corpo), não funcionalidade (compreensão de que todas as funções definidoras da vida cessam com a morte) e universalidade (tudo que é vivo morre). Metodologia: Para ilustrar esses aspectos serão apresentados dois casos clínicos, o primeiro relacionado à vivência de agravamento de um câncer ósseo em uma criança de 5 anos e a possibilidade de morte iminente e o segundo direcionado para avivência de luto de uma criança de 3 anos.Resultados. Conclusões: O atendimento psicológico demonstrou ser imprescindível nas situações em que a criança vivencia questões relacionadas à morte. Importância do problema, Comentários: Os estudos sobre a compreensão da criança sobre a morte e o processo do morrer auxiliam os profissionais da saúde e também os familiares a lidar com a criança queexperiência tal vivência, possibilitando que a mesma possa compartilhar seus sentimentos sentindo-se compreendida e acolhida. Descritores: Morte. Crianças. Atendimento Psicológico. Luto.

INTRODUÇÃO “Amar o perdido / deixa confundido /este coração. Nada pode o olvido / contra o sem sentido / apelo do não. As coisas tangíveis / tornam-se insensíveis / à palma da mão. Mas as coisas findas / muito maisque lindas, / essas ficarão.” (Carlos Drummond de Andrade, “Memória”).

A morte é algo desconhecido que nos inquieta, fazendo com que questionemos a vida em sua origem e seu fim. Como tema, já inspirou poetas e artistas em suas criações, as quais tocam nossa alma e nos aproxima, de forma delicada, dessa certeza tão temida em nossa existência. Falar sobre a morte nos faz debruçar sobre o quepermanece após a perda: a memória. Relembrando Alves1. “...o que a memória ama fica eterno. Eternidade não é o sem-fim. Eternidade é o tempo quando o longe fica perto.” (p. 43)

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Visão da criança sobre a morte

Somos seres vivos mortais. Como humanos, nos diferenciamos de outros seres, justamente pela nossa consciência sobre a mortalidade, sobre a finitude de nossa existência. A certeza damorte é um dado que perpassa a nossa concepção sobre o homem. Segundo o filosofo Heidegger2 somos seres para a morte, e a vivência do tempo em harmonia circular do passado presente e futuro constitui o sentido de nosso existir. Entretanto, essas reflexões parecem não nos respaldar, em um primeiro instante, quando vemos associados os termos morte e criança. Tais palavras parecem contraditórias. É comose a morte não se ocupasse da vida na infância em nenhuma forma de aproximação – pela morte da própria criança, pela perda de alguém próximo de sua convivência, ou de um bichinho de estimação ou até mesmo pelas imagens de TV e jogos infantis. Essa concepção errônea favorece atitudes inadequadas dos adultos com as crianças que vivenciam situações relacionadas à morte, tais como: evitar o assunto,minimizar o sofrimento que eles próprios estão sentindo para poupar a criança, utilizando eufemismos que confundem ainda mais a criança e até mesmo a criação de mentiras que venham substituir a situação que envolve a morte. Segundo Kovács3 “Ao não falar, o adulto crê estar protegendo a criança, como se essa proteção aliviasse a dor e mudasse magicamente a realidade. O que ocorre é que a criança...
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