Moral

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O INATISMO DE LEIBNIZ E O FUNDAMENTO DA MORAL

Rodrigo ANDIA

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RESUMO Devido à importância do inatismo para a história da filosofia moderna em geral e para a metafísica em particular, os Novos ensaios sobre o entendimento humano de Leibniz são uma das obras mais relevantes acerca do tema. Representações que se encontram na alma antes de qualquer impressão sensível, para Leibniz elas láestão virtualmente e somente os sentidos são capazes de atualizá-las, com o que o autor confere um novo papel para a experiência. De uma forma geral, o próprio conhecimento se dá unicamente pela passagem do virtual para o atual. Por outro lado, ao invés de pressuporem uma polêmica “concordância universal”, como pensava Locke, as idéias inatas permitem o conhecimento da moral e da subjetividadehumana. Tal como se verá a seguir, no sistema leibniziano elas representam as razões eternas de Deus como fundamento necessário de toda a metafísica. Palavras-chave: inatismo, idéias, empirismo, virtualidade, leis eternas

Os Novos ensaios sobre o entendimento humano apresentam a teoria do conhecimento de Leibniz e, principalmente, sua crítica ao empirismo clássico de Locke. É nesta mesma obraainda que encontramos a revalidação do inatismo para o conhecimento da moral e da metafísica. Nesse sentido, procuraremos mostrar, no presente artigo, a relação da produção do conhecimento com a subjetividade humana. A crítica que Leibniz endereça a Locke diz respeito diretamente à aquisição do conhecimento e sobretudo à existência das idéias inatas. Tal crítica tem inteiro fundamento, pois, paraLocke, o conhecimento só pode ser adquirido por meio da experiência, uma idéia só existindo de fato se ela antes for percebida pelos sentidos. Neste caso, os sentidos são para o homem as janelas da alma, e, segundo as palavras de Locke: “Afirmar que uma noção está impressa na mente e, ao mesmo tempo, afirmar que a mente a ignora e jamais teve dela qualquer conhecimento, implica reduzir estasimpressões a nada” (LOCKE, 1983, p. 146). Segundo o filósofo inglês, a maneira pela qual adquirimos o conhecimento é prova suficiente de não haver uma única noção inata na alma humana, e, conforme sua

Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 4, n. 3, 2004.

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alegação, o inatismo tenta justificar-se por meio do apelo ao assentimento universal, o mais importante argumento em favor daexistência de idéias inatas. No entanto, Locke deixará comprovado que o acordo universal entre os homens é adquirido por outras vias, isto é, pela experiência, e principalmente pelo princípio de não contradição. Este princípio afirma ser impossível uma coisa ser e não ser ao mesmo tempo. Sendo assim:

Esta falha é suficiente para destruir o assentimento universal que deve ser necessariamenteconcomitante com todas as verdades inatas, parecendome quase uma contradição afirmar que há verdades impressas na alma que não são percebidas ou entendidas, já que imprimir, se isto significa algo, implica apenas fazer com que certas verdades sejam percebidas. Supor algo impresso na mente sem que ela o perceba parece-me pouco inteligível. (LOCKE, 1983, p. 146).

A crítica feita por Leibniz é a de que ofilósofo inglês não investigou a fundo o significado das idéias inatas e dos sentidos. O que ele afirmará é que a experiência realmente contém a sua importância, mas, no entanto, esta não é para produzir as idéias na alma. A experiência somente dará ocasião às representações (inatas) de serem descobertas. Para Leibniz, as idéias inatas se encontram virtualmente na alma, na qual somente ossentidos poderão colocá-las em movimento ou em ato. É desse modo que a produção do conhecimento se dá, ou seja, na passagem da potência para o atual por meio da experiência; como refere o próprio autor: “Ora, a reflexão não constitui outra coisa senão uma atenção àquilo que está em nós, já que os sentidos não nos dão aquilo que já trazemos dentro de nós” (LEIBNIZ, 1988, p. 6). Em outras palavras, são...
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