Moral e historia

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  • Publicado : 6 de maio de 2012
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Texto: Moral e História
Autor: Adolfo Sanchez Vazquez


Por moral entendemos um conjunto de normas e regaras destinadas a regular as relações dos indivíduos numa comunidade social dada, o seu significado, função e validade não podem deixar de variar historicamente nas diferentes sociedades. Por isso podemos falar da moral da Antigüidade, da feudal própria da Idade Média, da moral burguesa nasociedade Moderna, etc. A moral é um fato histórico precisamente porque é um modo de comportar-se um ser – o homem – que por natureza é histórico. A moral muda e se desenvolve com mudança e o desenvolvimento das diversas sociedades concretas. É o que provam a substituição de certas normas por outros, de certos valores morais ou de certas virtudes por outras, a modificação do conteúdo de uma mesmavirtude através do tempo, etc.
A moral surge quando o homem supera a sua natureza puramente natural, instintiva, e possui já uma natureza social. A moral exige necessariamente não só que o homem esteja em relação com os demais, mas também certa consciência desta relação para que se possa comportar de acordo com as normas ou prescrições que o governam. Esta relação de homem para homem, ouindivíduo e a comunidade se manifesta no trabalho humano. Com trabalho adquire necessariamente um caráter coletivo e o fortalecimento da coletividade se transforma numa necessidade vital. Aparece assim uma serie de normas, mandamentos ou prescrições. Assim a moral nasce com a finalidade de assegurar a concordância do comportamento de cada um com os interesses coletivos.
A moral coletiva característica dassociedades primitivas que não conhecem a propriedade privada nem a divisão em classes, é uma moral única e válida para todos os membros da comunidade. A moral primitiva implica numa regulamentação do comportamento de cada um, de acordo com os interesse da coletividade. Não existiam propriamente qualidades morais pessoais, pois a moralidade do indivíduo (seu valor, sua atitude com respeito aotrabalho sua solidariedade, etc.) era qualidade de qualquer membro do grupo. A coletividade se apresenta como um limite da moral. As condições econômicos -sociais que tornarão possíveis a passagem para novas formas de moral serão exatamente o aparecimento da propriedade privada e a divisão da sociedade em classes
A divisão da sociedade antiga em duas classes traduziu – se também numa divisão damoral: uma dominante, dos homens livres e a outra dos escravos, que no íntimo rejeitavam os princípios e as normas morais vigentes. A moral dos homens livres era uma moral efetiva, Nas condições que viviam os escravos era impossível elaborar uma moral própria fundamentada e justificada .
Os traços dessa moral mais estreitamente relacionados com o seu caráter de classe extinguiram-se com odesaparecimento da sociedade escravista. Nasce uma nova e fecunda relação para a moral entre o indivíduo e a comunidade, cresce a consciência dos interesses da coletividade e surge uma consciência reflexa da própria individualidade. Isto conduz à consciência da responsabilidade pessoal que constitui parte de uma autêntica conduta moral.
Com o desaparecimento do mundo antigo, nasce uma nova sociedade.Trata-se da sociedade feudal cujo regime econômico-social se caracteriza pela divisão em duas classes: a dos senhores feudais e a dos camponeses servos. Embora a situação dos servos continuasse sendo muito dura, tinham o direito à vida e formalmente reconhecia-se que não eram coisas, mas seres humanos.
A moral da sociedade medieval correspondia às suas características econômico-sociais eespirituais. De acordo com o papel da igreja na vida espiritual da sociedade, a moral estava impregnada de conteúdo religioso e como o poder espiritual era aceito por todos os membros da comunidade, tal conteúdo garantia uma certa unidade moral da sociedade. Mas de acordo com as rígidas divisões sociais verificava-se uma estratificação moral, isto é, uma pluralidade de códigos morais. Somente os servos...
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