Moral jean-paul

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COSTA, Angélica Silva. A questão moral presente no pensamento de Jean-Paul Sartre

A QUESTÃO MORAL PRESENTE NO
PENSAMENTO DE JEAN-PAUL SARTRE
Angélica Silva Costa*

RESUMO
O artigo procura mostrar algumas questões com base no existencialismo sartreano,
o qual apresenta uma radicalização do humanismo em oposição às concepções
gerais atribuídas ao homem. A partir dessa caracterização, éfundamental
reconhecer que as noções de liberdade, escolha e responsabilidade constituem
pontos-chave para a fundamentação de uma moral da ação.
PALAVRAS-CHAVES: Liberdade. Responsabilidade. Moralidade.

ABSTRACT
The article aims to show some issues on the basis of Sartre’s existentialism which
presents a radicalization of humanism as opposed to general conceptions usually
attributed to man.From this characterization, it is essential to recognize that the
concepts of freedom, choice and responsibility are key-points to a establish of moral
action.
KEY-WORDS: Freedom. Responsibility. Morality.

1-INTRODUÇÃO

O existencialismo sartreano apresenta-nos uma radicalização do
humanismo

em

oposição

às

concepções

tradicionais

do

homem.

A

compreensão dacondição humana impõe-nos a necessidade de pensar as
noções de liberdade, responsabilidade, ação e, conseqüentemente, uma
moral existencialista. Isso ocorre à medida que Sartre critica a idéia de
natureza humana, promovendo a ruptura com as idéias gerais e abstratas
atribuídas à realidade do homem e, portanto, a imposição de uma “moral
consoladora”1.

*

Mestranda em Filosofia pelaUniversidade Federal de Uberlândia. E-mail: angelicascosta261@hotmail.com
POROS, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 66-77, 2009 – www.catolicaonline.com.br/poros

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COSTA, Angélica Silva. A questão moral presente no pensamento de Jean-Paul Sartre

Desse modo, na conferência O Existencialismo é um Humanismo, de
1946, encontramos o núcleo da perspectiva filosófica e humanista do
pensamento sartreano. Aoafirmar a precedência do existir em relação à
essência, o filósofo estabelece a primeira máxima existencialista: “o homem
primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define”
(SARTRE, 1978, p. 12).
[...] em primeira instância, o homem existente, encontra a si
mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define. O
homem como o existencialista o concebe, só não é passívelde
uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente
será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo.
(SARTRE, 1978, p.6).

Em consonância com o existencialismo ateu, o filósofo parte do
princípio de que se Deus não existe é possível encontrar pelo menos um ser
no qual “a existência precede a essência”, um ser que anterior a qualquer
definição religiosa ou metafísicaexista no mundo: tal ser é o homem. Assim,
Sartre afirma que não há nenhum destino ou propósito exterior à realização
humana, isto é, o homem é um ser-no-mundo, utilizando aqui uma expressão
heideggeriana, cuja característica primordial é a liberdade.
Com isso, Sartre pretende despir-se de toda espécie de moralidade
“consoladora”,

o

que

resulta

na

conseqüenteresponsabilidade

e

posicionamento ético que o homem deve assumir. Observa-se, essa crítica às
teorias que postulam determinadas referências fixas. A existência divina
como encontramos em O existencialismo é um humanismo, por exemplo. Tais
referências fixas como orientadoras das ações, o que nos evidencia
implicações extremadas, principalmente em relação ao humanismo e a
moral. Conforme Sass (2006, p.72): “A crítica pode ser identificada no
sentido de recusa de todo tipo de moral restritiva da liberdade ou de
condicionamento das ações humanas. Um código moral é, para Sartre, a
cristalização da condição da moral fundada na liberdade”.
De acordo com a teoria existencialista, somos incondicionalmente
livres, sós e sem desculpas. Uma vez destituído de essência, o homem deve

POROS,...
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