Moral de spinoza

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  • Publicado : 22 de junho de 2012
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Introdução

A filosofia moral de Spinoza como ele a apresenta na "Ética", define "o bom" em termos largamente subjetivos: o bom para diferentes espécies (Por exemplo, para o homem e para o cavalo) é diferente. O que nossa razão considera como mal, não é um mal em relação à ordem e às leis da natureza universal, mas somente em relação às leis de nossa própria natureza, tomada separadamente.Assim, para Deus a distinção entre bom e mau não teria sentido, uma vez que tal distinção é essencialmente relativa a finalidades das criaturas finitas. Daí nosso "problema do mal": lutamos para reconciliar os males da vida com a bondade de Deus, esquecendo de que Deus está acima do bem e do mal. Bom e mau são ligados a gostos e finalidades humanas e muitas vezes individuais e não têm validade para umuniverso no qual os indivíduos são coisas efêmeras. Assim, quando qualquer coisa na natureza parece-nos ridícula, absurda ou má, é porque não temos senão um conhecimento parcial das coisas e ignoramos em geral a ordem e a coerência da natureza como um todo e porque desejamos que tudo se arrume conforme os ditames de nossa própria razão.
E tal como acontece com "bom" e "mau", o mesmo se dá com"feio" e "belo"; esses termos são também subjetivos e pessoais. Também a estética de Spinoza é totalmente subjetiva, pois segundo ela a beleza não é mais que um efeito sobre o espectador.
Ele não atribui à natureza nem beleza nem deformidade, nem ordem nem confusão. Somente com relação à nossa imaginação podem as coisas ser chamadas de belas ou feias, bem ordenadas ou confusas.

Acredita-se, àsvezes, que o interesse pela natureza demonstrado durante o século XVII, foi coisa inédita, e que, em conseqüência, seus grandes pensadores deviam ter procedido a um estudo inteiramente novo de problemas que não haviam sido encarados antes deles. As investigações têm demonstrado que Descartes mesmo era um medieval (os melhores dentre os medievais eram muito modernos). Uma vista d'olhos sobre a obramonumental que Steinschneider consagrou às traduções hebraicas da idade média, mostra o profundo interesse pela ciência contemporânea de que os judeus então davam prova. Não há, pois, motivo para se assombrar com o fato da síntese filosófico-religiosa elaborada durante a época precedente haja bastado para a seguinte, depois de haver passado através de um espírito rico e crítico. Spinoza não iaformar, senão que havia de absorver, essa «visão de toda realidade como uma só» que os estudiosos reconhecem como o princípio diretor de sua doutrina. Unicamente, teve de repetir a concepção segundo a qual Deus não é um simples «refúgio de ignorância», senão uma unidade de intelecto e vontade; que a teologia deve repousar sobre a física e ambas sobre as «verdades eternas» reconhecidas pelo espíritohumano. É na filosofia dos pensadores judeus onde a maior importância atribuída a conduta havia sido combinada com a compreensão do fato de que as normas humanas só valem para os homens; a eles pertencia, também, o lugar comum, segundo o qual o culto supremo nascia do estudo da unidade sistemática da Natureza. Além disso, a assimilação explícita de Deus com a Natureza, havia sido formulada nahistória do pensamento judeu longo tempo antes de Spinoza, e certamente não podia parecer estranha aos espíritos que entesouraram o salmo 104.
Crê-se, com alguma freqüência, que a famosa excomunhão de Spinoza foi devida ao enunciado desta «heresia» e outras análogas, e, por isso, é oportuno recordar aqui um curioso acontecimento na história da teologia judaica. Vinte anos aproximadamente depois damorte de Baruch Spinoza, um erudito e pensador muito conhecido, David Nieto (1654-1728), chegou a ser rabino da comunidade judaica espanhola de Londres. Bom filósofo ele mesmo (publicou em espanhol um tratado De la Providencia Divina, e em hebraico e espanhol uma defesa da tradição), entrou em conflito com sua congregação por haver afirmado na cátedra sinagogal a identidade da Natureza e de Deus....
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