Moradores de rua que vivem em torno do terminal rodoviario castelo branco

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  • Publicado : 4 de outubro de 2012
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Introdução
“A rua ensina demais, mas eu vou falar para você: ela bate sem dó! Você tem que viver na rua transparente, honesto. Não é a cachaça e a droga que fortalece não, é a consciência”.
Bruno morador de rua, nascido em Paysandu estado de São Paulo
A primeira vez que fui a rodoviária estava acompanhada de toda a turma que estudava a optativa sociologia das relações cotidianas. Dividimosem vários grupos onde cada grupo procurou o objeto de pesquisa que mais despertasse sua atenção. Nosso grupo motivou- se com os moradores de rua .Durante alguns meses,fizemos algumas visitas a fim de desvendar aquele universo. Esse tema chamou muito minha atenção,e depois de terminado o trabalho continuei minhas observações na rodoviária e escrevi minha monografia. Ela é resultado de todo umesforço de compreensão que vai desde a minha primeira visita a rodoviária junto aos meus colegas até os últimos 4 meses que continuei a explorar esse tema sozinha. As observações feitas em grupo também fazem parte deste trabalho, e estão bem esclarecidas no decorrer do mesmo.
Nosso grupo analisouprimeiramente o terminal rodoviário Presidente Castelo Branco situado em Uberlândia, Minas Gerais,para umamelhorcompreensão das relações cotidianas que ali se estabeleciam . Na pesquisa, observamos como os indivíduos experimentam a cotidianidadenum lugarde “passagem” como é a rodoviária.
No primeiro momento observamos como era organizada a Rodoviária, o comércio, o espaço físico, a paisagem.Ao caminhar pelo terminalnotamos como o prédio era grande, limpo e espaçoso. A parte superior é compostaporguichês de venda de passagens, e de vários comércios como loja de roupas, lanchonetes, farmácias uma casa lotérica além dos banheiros privados. A parte inferior possui banheiros público,lojas,lanchonetes,além de um posto policial. Ali há um fluxo maior de pessoas e um órgão da Prefeitura Municipal o “Bem Social”. Além do embarque e desembarque,onde foi possível presenciar ocasiões de fortes emoções,dealegria, tristeza, saudade, e momentos vividos intensamente de chegada e partida.
Ao conversamos com osfuncionários percebemos que estes reclamavam do cansaço argumentando que trabalhar na rodoviária é muito difícil principalmente por causa da rotina do dia a dia, e destacaram também que ali tudo pode acontecer, “cada dia acontece uma coisa mais doida que a outra”.
A Rodoviária de Uberlândia estalocalizada no Bairro Martins na Rua Indianópolis, onde em frente,a Praça da Bíblia com suas lindas palmeiras proporciona sombra àqueles que querem descansar, principalmente nos dias ensolarados e quentes. Ao lado, mas já na confluência com a Rua Higino Guerra estão os pontos de ônibus urbanos, moto-taxista e mais perto da praça os táxis, todosdisputando os passageiros.
Como a ideia inicial dotrabalho era procurar a parte da Rodoviária que nos chamava mais atenção para torná-la objeto de pesquisa, encontramos no momento em que visualizávamos o ambiente em questão, um grupo de moradores de rua, o queme inspirou a realização deste trabalho. Experiências passadas me trazia a lembrança de que em toda rodoviária sempre havia aqueles que de certa forma “invisíveis” aos olhos damaioria daspessoas, se encontravam morando na rua por diversos motivos.
Os moradores de rua que encontramos nos arredores da Rodoviária romperam seus laços familiares e não tinham parentes ou amigos com quem pudessem contar. Sujos, largados, cheirando mal, quando questionados por nós: “Porque não voltam para casa?”, respondiam: “Por que não tenho cara para voltar!”. O distanciamento da família e dos amigos,segundo os próprios entrevistados estava muito ligado a dependências química e física de álcool e drogas. Muitos deixavam o emprego por não conseguirem manter a rotina por causa do vício, e aos poucos já não contribuíam financeiramente em casa. Como não tinham outra fonte de renda começavam a roubar o próprio lar, o que geravam muitos conflitos, com a família e até mesmo com os próprios...
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