Monografia

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1. INTRODUÇÃO


O mundo dos vegetais é um importante elemento de quase ou todas as sociedades, sendo essencial para sua existência bem como nos rituais e práticas gerenciadora da vida de um ser. Em muitas situações, e para determinadas culturas, algumas plantas projetam-se em níveis existenciais amplos, de forma que o útil também é sagrado (ALBUQUERQUE, ULLISSES, 2007).Há cerca de 60.000 anos mostrados pelos desenhos encontrados em cavernas no Iraque, o homem de Neanderthal já usava as plantas medicinais (LANGMEA, 2001).
A experiência mostra que o reino vegetal é particularmente amplo, sendo que muitas plantas são utilizadas empiricamente, desde longa data, na medicina popular, sejam plantas aromáticas ou utilizadas comocondimentos, sejam sementes, frutos ou mesmo casca de árvores (VALENTE 2002). As plantas medicinais têm sido um importante recurso terapêutico desde os primórdios da Antigüidade até os dias de hoje. No passado, representavam a principal arma terapêutica conhecida.
Em todos os registros sobre médicos famosos da Antigüidade, tais como Hipócrates, Avicena e Paracelcius, as plantas medicinaisocupavam lugar de destaque em suas práticas. A partir de plantas descritas e usadas pelo conhecimento popular, foram descobertos diversos medicamentos usados até hoje pela medicina. Os salicilatos, por exemplo, foram descobertos através de estudos no Salgueiro Branco (Salix alba L.), que era usado pelos índios norte-americanos no tratamento de dor e febre. Já os digitálicos foram isolados daDedaleira (Digitalis purpurea L.), usada por curandeiros europeus no tratamento de edemas (SILVA, 1998).
Apesar do crescimento das pesquisas com plantas medicinais, algumas têm chamado atenção pelo seu grande número de indicações no conhecimento popular, muitas vezes tornando-se a “planta da moda”, mas que ainda carecem de maiores comprovações cientificas. Este parece ser o caso doCymbopogon citratus (DC.) Stapf que tem sido muito indicado e utilizado para um grande número de enfermidades, mas cujos trabalhos de pesquisa ainda são poucos desenvolvidos e divulgados.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define planta medicinal como sendo “todo e qualquer vegetal que possui, substâncias que podem ser utilizadas com fins terapêuticos ou que sejam precursoresde fármacos semi-sintéticos”.
Segundo Bruhn (1989) a etnobotânica é citada, como sendo um dos caminhos alternativos que mais evoluiu nos últimos anos para a descoberta de produtos naturais bioativos, sendo que nesta área de pesquisa são enfocados dois fatores fundamentais: coleta e utilização medicinal da planta. Esses fatores implicam na região, época e estágio de desenvolvimentopreferido para coleta e também procedimentos especiais como preparação de exsicata. O depósito de exsicata em herbário credenciado é muito útil para evitar enganos com a espécie que é estudada.
Este termo etnobotânica, pela primeira vez foi empregado por Harshberger em 1895 que embora não tenha definido com clareza, apontou maneiras pelas quais poderia ser útil a investigaçãocientífica. Desde então várias são as definições para o termo etnobotânica, dentre as mais recentes destacam-se: a) “disciplina que se ocupa do estudo e conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito do mundo vegetal” – engloba a maneira como um grupo social classifica as plantas e a utilidade que dá a elas; b) “verdadeira botânica científica voltada para o hábitat e uso de uma etniaespecifica” – sendo realizado por alguém treinado em botânica científica, que efetuaria correspondências entre a classificação científica ocidental e local; c) “ciência botânica que possui uma etnia específica” – vê a cultura de uma sociedade como tudo aquilo que alguém tem que saber ou crer, a fim de operar de forma aceitável para seus membros (SCHULTES, 1962; POSEY, 1986; CARDONA, 1985)....
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