Modernismo

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2 Fernando Pessoa – “ele mesmo” – o ortônimo
 
Fernando Antônio Nogueira Pessoa – Fernando Pessoa – participou da primeira geração do modernismo português e foi considerado, junto a Camões, o maior poeta de Portugal.
Nascido no dia 13 junho de 1888, em Lisboa, Pessoa teve uma infância tumultuada, perdendo o pai aos cinco anos. Viajou com a mãe e o padrasto para a África doSul, ainda quando criança, vivendo por lá até boa parte de sua adolescência, inclusive tendo ingressado na Universidade de Cabo.
       Retornou a Portugal onde ainda cursou Letras por um tempo. Trabalhou durante boa parte da vida como tradutor de cartas comerciais para empresas estrangeiras, e publicou apenas dois livros enquanto vivo: “35 sonnets” (livro de poemas, em inglês) e “Mensagem”, aobra mais conhecida dele, na qual apresenta o glorioso passado de Portugal e tenta encontrar um sentido para a antiga grandeza e a decadência existente no seu país na época em que o livro foi escrito. Um livro que revisita e também cria uma mitologia do passado heróico de Portugal, repleta de símbolos. Um livro que apresenta proximidade com o que propunha o modernismo quando no seu surgimento: darmaior visibilidade e vida à história e à cultura de Portugal, evitando continuar deixando-a para trás perante o cenário europeu da época.
       Outra obra escrita e assinada por Pessoa, porém publicada postumamente, foi Cancioneiro, em que são explorados temas como solidão, saudade, infância, vida, arte, tédio, ceticismo, e onde encontra-se um dos poemas mais célebre de Fernando Pessoa,“Autopsicografia”, no qual o poeta reflete justamente sobre o fazer poético:
 Próximo ao pensar de Caeiro, segundo Moisés (1991, p. 400), um dos dramas de Pessoa foi o de ser extremamente lúcido, de sonhar em ser inconsciente, porém sem perder a lucidez. E, diferentemente de um dos seus heterônimos, para Pessoa existia coerência entre sentir e pensar. Sentir e pensar constituiam “atos indissociáveis de umórgão íntimo que só por absurdo poderia deixar de sentir e, portanto, de pensar simultaneamente: sentir é pensar, pensar é sentir” (MOISÉS, 1991, p. 400).
Feranando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, no mesmo país em que nasceu, sem ter noção exata da dimensão que sua obra alcançaria, e do enigma que sua pessoadeixaria a todos.
 
3 Fernando Pessoa e os heterônimos
 
       No dia 8de março de 1914, Fernando Pessoa explodiu em três diferentes poetas: um mestre bucólico (Alberto Caeiro), um neoclássico estóico (Ricardo Reis), e um poeta futurista (Álvaro de Campos). E foi de onde pôde afirmar: “E tudo me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve”.
Talvez criados apenas como estratégia de marketing do poeta (no que poucos conseguem acreditar), o objetivocom os heterônimos era formar em si uma unidade: 
Conforme, ainda, palavras de Álvaro de Campos,
  Unidade quem sabe Pessoa tenha alcançado, mas também o que se vê são três personalidades que não se complementam em muitos aspectos. O mestre é Caeiro, o Pai, com a sabedoria e a calma invejadas por seus dois irmãos, a quem dá origem: Ricardo Reis, um epicurista triste, de tradição clássica,ligado à mitologia pagã, para quem a emoção podia ser controlada pela razão, e Álvaro de Campos, o mais ligado à tendência futurista, engenheiro formado, de versos fortes, diretos, feitos mais na inspiração do que na arte de criação.
       Refletindo o momento da época – a desestruturação do mundo na 1ª Guerra Mundial, a instabilidade em Portugal pela mudança de regime político, as diferentes formasde expressão cultural apresentadas pelas vanguardas – Fernando Pessoa multiplicou-se em diversos heterônimos, destacando-se os três já citados. As expressões artísticas seguiam o cenário em que se faziam observar. Fragmentavam-se, espalhavam-se em diferentes e inconstantes formas de representar o viver, o pensar e o sentir. Pessoa foi o exemplo mais claro.
       O fato é que sua poesia,...
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