Modernidade e modernismo

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Modernidade e Modernismo

A história do modernismo como movimento estético tem oscilado de um lado para o outro dessa formulação dual, muitas vezes dando a impressão de poder, como certa feita observou Lionel Trilling (1966), apresentar oscilações de significado até voltar-se para a direção oposta.
O que não costuma ser contestado é que a condição da modernidade tenha essacaracterística. Eis, por exemplo, a descrição de Berman (1982,15):
Há uma modalidade de experiência vital – experiência do espaço e do tempo do eu e dos outros, das possibilidades e perigos de vida- que é partilhada por homens e mulheres em todo o mundo atual. Denominarei esse corpo da experiência “modernidade”. Ser moderno é encontrar-se num ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento,transformação de si e do mundo – ao, mesmo tempo, que ameaça destruir tudo o que temos tudo o que sabemos tudo o que somos. Os ambientes e experiências modernos cruzam todas as fronteiras da geografia e da etnicidade, da classe e da nacionalidade, da religião e da ideologia; nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une toda a humanidade. Mas trata-se de uma unidade da desunidade; ela nos arrojanum redemoinho de perpétua desintegração e renovação, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia. Ser moderno é ser parte de um universo em que, como disse Marx “tudo o que é sólido desmancha no ar”.
Se a vida moderna está de fato tão permeada pelo sentido do fugidio, do efêmero, do fragmentário e do contingente, há algumas profundas consequências. A modernidade não pode respeitarsequer o seu próprio passado, para não falar do de qualquer ordem social pré-moderna. A modernidade, por conseguinte, não apenas envolve uma implacável ruptura com todas e quaisquer condições históricas precedentes, como é caracterizada por um interminável processo de rupturas e fragmentações internas inerentes.
O termo “moderno” tem uma história bem mais antiga, o que Habermas (1983,9),chama de projeto da modernidade entrou em foco durante o século XVIII. Esse projeto equivale a um extraordinário esforço intelectual dos pensadores iluministas “para desenvolver a ciência objetiva, a moralidade e a lei universais e a arte autônoma nos termos da própria lógica interna destas”. A ideia era usar o acúmulo de conhecimento gerado por muitas pessoas trabalhando livre e criativamente embusca da emancipação humana e do enriquecimento da vida diária. Na medida em que ele também saudava a criatividade humana, a descoberta científica e a busca da excelência individual em nome do progresso humano, os pensadores iluministas acolheram o turbilhão da mudança e viram a transitoriedade, o fugidio e o fragmentário como condição necessária por meio da qual o projeto modernizador poderia serrealizado.
O século XX – com seus campos de concentração e esquadrões da morte, seu militarismo e duas guerras mundiais, sua ameaça de aniquilação nuclear e sua experiência de Hiroshima e Nagasaki – certamente deitou por terra esse otimismo. Há suspeita de que o projeto do Iluminismo estava fadado a voltar-se contra si mesmo e transformar a busca da emancipação humana num sistema de opressãouniversal em nome da liberação humana. A humanidade vai ter de ser forçada a ser livre, disse Rousseau. Francis Bacon, um dos percussores do pensamento iluminista, concebeu em seu tratado utópico Nova Atlântica uma casa de sábios que seriam os guardiões do conhecimento, os juízes éticos e os verdadeiros cientistas; enquanto vivessem no mundo exterior a vida diária da comunidade eles exerceriamsobre esta uma extraordinária força moral. A essa concepção de uma sabedoria de elite, mas coletiva, masculina e branca, outros opunham a imagem de um individualismo sem peias de grandes pensadores, os grandes benfeitores da humanidade, por intermédio de suas lutas e esforços singulares, levaram a razão e a civilização do nada ao ponto da verdadeira emancipação.
Marx, que em muitos aspectos...
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