Modernidade - baudelaire

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  • Publicado : 17 de fevereiro de 2013
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Baudelaire e a modernidade



1. Apresentação: modernidade de Baudelaire

No meio de uma multidão cada vez mais numerosa, entre carruagens em alta velocidade e em uma metrópole em eterna reconstrução, Charles Baudelaire sentia-se na obrigação de refletir sobre o espírito e a forma desses novos tempos, que ele sintetiza na palavra modernidade. Dedicou vários de seus ensaios a essetema, além de retratá-lo na maioria de seus textos poéticos.
Porém, é difícil considerar a modernidade como apenas um “tema” de Baudelaire. De alguma forma, as preocupações do seu mundo moderno são as mesmas do mundo de agora. Como bem aponta Habermas[1], não é possível falar de período pós-moderno da história: ainda vivemos sob o sistema capitalista e seus ideais burgueses defendidos durantea revolução francesa. Dessa forma, Baudelaire, tal como Hegel e Goethe, é um fundador da modernidade de hoje.
Para quem ainda tem alguma dúvida, basta abrir uma janela em um prédio de São Paulo. Veremos a mesmas grandes avenidas, carros em alta velocidade e contrastes representados na obra de Baudelaire. A Paris do poeta, por seu lado, quase nada mudou. Conserva-se intacta e é idolatradaanualmente por milhões de turistas, como se fosse um totem da nossa era.
Neste ensaio/ aula, eu vou me referir não apenas ao conceito de modernidade na obra de Baudelaire, mas também à modernidade da sua obra. Para isso, dividirei esta apresentação/ texto em três partes. Na primeira, tentarei identificar as principais definições da “modernidade” nos ensaios do poeta; na segunda, tentarei uniressas definições em uma visão unificada e, na terceira, identificarei manifestações dessa modernidade em dois poemas em prosa, “La chambre double” e “Les fenêtres”.


2. A modernidade nos escritos sobre a arte


A visão mais conhecida de modernidade em Baudelaire encontra-se no ensaio “Le peintre de la vie moderne”, dedicado ao pintor Constantin Guys: “La modernité, c’est letransitoire, le fugitif, le contingent, la moitié de l’art, dont l’autre moitié est l’éternel et l’immuable”[2]. Para o poeta, a arte era de alguma forma dotada de uma qualidade universal que, para ser atraente, devia ser revestida por uma crosta de atualidade. Essa definição poderia ser considerada como uma anti-definição, já que faz a modernidade aplicável a qualquer momento da história. Todos os temposseriam tempos modernos.
É preciso perguntar então qual seria a modernidade do seu tempo, a crosta que faria atraentes os seus próprios poemas. A resposta é clara tanto em seus ensaios quanto em suas obras poéticas: não há nada mais moderno para o poeta que a vida nas grandes cidades. Porém, não é clara a sua posição sobre essa nova vida. Como afirma Marshall Berman, seus ensaios apresentamora visões pastorais ora anti-pastorais sobre as características da metrópole moderna.
Um exemplo de “visão pastoral” é o próprio ensaio “le peintre de la vie moderne”, no qual Baudelaire aponta que toda a beleza é proveniente do “progresso da razão” e não da natureza, como se defendia no século XVIII: “Passez en revue, analysez tout ce qui est naturel, toutes les actions et les désirs dupur homme naturel, vous ne trouverez rien que d’affreux. Tout ce qui est beau et noble est le résultat de la raison et du calcul”[3]. Dentro dessa beleza e dessa nobreza, Baudelaire coloca outras preocupações modernas, como a moda e os uniformes militares, aos quais dedica boa parte do ensaio.
Chega a chocar a mudança radical de posição que podemos observar em outro ensaio quase contemporâneoao “Peintre”, “De l’idée moderne du progrès appliquée au Beaux-Arts”: “Il est encore une erreur fort à la mode, de laquelle je veux me garder comme de l’enfer. – Je veux parler de l’idée du progrès. Ce fanal obscur, invention du philophisme actuel, breveté sans garantie de la Nature et ou de la Divinité, cette lanterne moderne jette de tenèbres sur tous les objets de la connaissance; la liberté...
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