Modelo explicativo de saude

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Saúde e Sociedade
V.11 No 1 jan-jul/2002

PENSANDO O PROCESSO SAÚDE DOENÇA: A QUE RESPONDE O MODELO BIOMÉDICO?* José Augusto C.Barros**

RESUMO: Com o propósito de efetuar uma crítica ao modelo biomédico, mecanicista, hegemônico na doutrina e prática que informa a medicina na atualidade, o texto parte de uma síntese histórico-evolutiva que contempla aapresentaçao das idéias e personagens chave que caracterizariam os quatro paradigmas ou modelos que, ao longo do tempo, precederam o modelo sob estudo. Em seguida discorre, efetuando uma análise crítica, sobre o fenômeno da medicalizaçao, consequência e estímulo ao mesmo tempo para a hegemonia do modelo biomédico, contextualizando-a, brevemente, na sociedade de consumo, sob o império da lógica demercado, tomando a questao dos medicamentos como exemplo das distorçoes advindas do incremento da medicalização e dos fatores a ela subjacentes. Ao final, comenta-se a respeito das limitações no alcance da desejada interferência positiva da medicina, uma vez feita a opção pelo modelo biomédico. PALAVRAS-CHAVE: modelo biomédico, processo saúde-doença, medicalização medicamentos,

MODELOSEXPLICATIVOS DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA:BREVE HISTÓRICO Na trajetória evolutiva das concepções e da prática sobre a saúde e a doença poderiam ser considerados alguns paradigmas que, começando com a visão mágico-religiosa, na antiguidade, termina na abordagem do modelo biomédico, predominante nos tempos de hoje. Para a elaboração da contextualização de caráter histórico, essencial à reflexão sobre o modelobiomédico aqui pretendida, nos inspiramos, em grande medida, nos textos de Bennet (1981), Capra (1982) e Lain Entralgo (1989).

AS ABORDAGENS DA MEDICINA MÁGICO-RELIGIOSA E DA EMPÍRICO-RACIONAL A medicina mágico-religiosa, predominante na antiguidade, se inseria em um contexto religiosomitológico no qual o adoecer era resultante de transgressões de natureza individual ou coletiva, sendo requeridopara reatar o enlace com as divindades, o exercício de rituais que assumiam as mais diversas feições, conforme a cultura local, liderados pelos feiticeiros, sacerdotes ou xamãs. As relações com o mundo natural se baseavam em uma cosmologia que incluíam deuses caprichosos e espíritos tanto bons como maus. Os indivíduos pensavam a doença em termos desses agentes cabendo aos responsáveis pelaprática médica da época aplacar essas forças sobrenaturais. Esse enfoque é ainda hoje aceito por milhares de pessoas, habitantes de sociedades tribais ou nao, com a intromissao, concomitante, por http://apsp.org.br/saudesociedade/XI_1/pensando_o_processo_saude.htm 6/4/2005

Artigos da Revista vezes, de elementos da medicina ocidental, dita cientifica.

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Avanço significativo nopensamento médico ocorre quando se dá um desvio do foco de interesse das forças sobrenaturais para o portador da doença, passando a mesma gradativamente, a ser vista como um fenomeno natural, passível de ser compreendido e liberado da intromissao de forças divinas ou malévolas. Esse novo enfoque, que podería ser designado como medicina empírico-racional teve seus primórdios no Egito (papiros comfragmentos de textos médicos datam de três mil anos antes de Cristo) No ocidente, especulações com vistas a encontrar uma explicação não sobrenatural para a saúde e a doença devem muito aos primeiros esforços de alguns pioneiros em uma forma inédita de aproximação dos fenômenos, na busca do seu entendimento, particularmente na Grécia clássica, iniciando-se no sexto século antes de Cristo, com onascimento da filosofia (amor à sabedoria) e as tentativas dos primeiros filósofos pré-socráticos em encontrar explicação para as origens do universo e da vida. Essa matéria prima (arké=origem, começo) por eles visualizada como sendo a água, a terra, o fogo e o ar, está subjacente à teoria dos humores de Hipócrates (460-377 AC). Pensadas, de início, de forma isolada acredita-se ter sido Empédocles...
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