Mitologia e filosofia

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MITOLOGIA E FILOSOFIA: UM DEBATE
Por José Sobreira Barros Júnior
Mestre em Filosofia-PUC/SP
                  
Um dos fatos mais interessantes na história da humanidade como um todo é tentar explicar o início de tudo, os acontecimentos do cotidiano e as possibilidades de entender a vida pós-morte. Em todos os tempos sempre ocorreu aos homens perguntar-se sobre sua origem e a do própriouniverso que os cerca.
Estas respostas ou tentativas de respostas às questões acima levantadas nunca foram privilégio de todos, sempre “especialistas” de todas as matizes, dos sacerdotes, aos reis, os papas, ou mesmo os cientistas, sempre tiveram o privilégio de tentar deter o “saber responder”, estes questionamentos.
Desta forma, sempre ocorreu a interrogação do “de onde viemos” e “para ondeiremos” e as respostas se sucedem no transcorrer do tempo. Quando falamos que são perguntas ou explicações que estão presentes no transcorrer da evolução da vida racional do ser humano, queremos dizer que, qualquer tribo perdida em qualquer lugar do planeta de uma maneira ou de outra vai apresentar essas inquietações, basta ver as tribos indígenas na América do Sul, seus mitos tentam explicar a natureza eseus fenômenos.
 “O mito é uma narrativa imaginária que estrutura e organizam de forma criativa as crenças culturais. As divindades constituíam os personagens que, pelas divergências, intrigas, amizades e desejo de justiça, explicavam tanto a natureza humana como os resultados das guerras e os valores culturais”. (Cassiano Carde in  “Para Filosofar”, p. 9 Ed. Scipione).
Portanto, o fantásticoentra em cena para dar conta de um real, isto é, a realidade antes de tudo explicada dentro de uma super dimensão.
A questão é que temos que entender o processo mitológico como uma estrutura  de entendimento da realidade, não só no passado mas também no presente.
Em dois momentos, séc. XVIII (com o Iluminismo) e séc. XIX (com o hegelianismo e o positivismo), encontramos a idéia de que superar aperspectiva mitológica é para a humanidade uma evolução. Desta forma, a reflexão mitológica pertenceria a culturas primitivas ou mesmo atrasadas.
Na antropologia, a perspectiva de uma explicação mítica é defendida por Lévi-Strauss como bricoleur, isto é, a produção de objetos  partindo de pedaços e fragmentos de outros objetos. Desta forma, a realidade vai interligando-se paulatinamente aoconjunto de suas crenças. O pensamento mítico vai estruturando-se como experiências, relatos e narrativas.
Desta forma, o pensamento mítico, como afirma Chauí (ob. cit. p.161/162), apresenta três características principais.
 “função explicativa: o presente é explicado por alguma ação passada cujos efeitos permanecem no tempo. Por exemplo, uma constelação existe porque, no passado, crianças fugitivas efamílias morreram na floresta e foram levadas ao céu por uma deusa que as transformou em estrelas; as chuvas existem porque, nos tempos passados, uma deusa apaixonou-se por um humano e, não podendo unir-se a ele diretamente, uniu-se pela tristeza, fazendo suas lágrimas caírem sobre o mundo, etc.;
 função organizativa: o mito organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de trocas, desexo, de idade, de poder, etc) de modo a legitimar e garantir a permanência de um sistema complexo de proibições e permissões. Por exemplo, um mito como o de Édipo ( Quando Édipo nasce, um vidente, Tirésias, prevê que o menino matará o pai e casará com a mãe. Apavorado, o rei Laio – o pai – manda matar Édipo. O escravo que deveria matar o menino sente piedade e o lança num precipício sem verificarse está ou não morto; e entrega ao rei o coração de uma corça, como se fosse o de Édipo. A criança não morre e é recolhida por um pastor. Este, por sua vez, a entrega a um outro rei, que, idoso, lamentava não ter filhos. Ao crescer, Édipo suspeita que não é filho de seus país adotivos e sai à procura dos pais verdadeiros. No caminho, vê uma batalha entre um grupo numeroso e um pequeno;...
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