Mito e filosofia

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  • Publicado : 31 de março de 2012
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Mito e Filosofia

1) O que é o mito? Para que/quem ele serve?

O mito faz parte da história humana desde os primórdios e nunca deixou de estar presente: na pré-história, onde as pinturas rupestres tinham um significado mágico, ou na afirmação de John Lennon, na década de 60, de que os Beatles eram mais importantes do que Jesus Cristo, o traço comum é a necessidade humana de criar “ídolos”.O mito é um “relato das origens” e que, enquanto tal, tem uma função de instauração: só há mito se o acontecimento fundador não tem lugar na história, mas num tempo antes da história. O mito diz sempre como nasceram as coisas, as instituições, as regras etc.
Explica Mercia Eliade que o mito, ao contar uma história sagrada revela um mistério: “porque as personagens do mito não são seres humanos:são deuses ou heróis civilizadores, e por esta razão as suas “ações memoráveis” constituem mistérios: o homem não poderia conhecê-los se não lhos revelassem. O mito é, pois, a história do que se passou ‘naquele tempo’, a narração daquilo que os Deuses ou os seres divinos fizeram no começo do Tempo. ‘Dizer’ um mito é proclamar o que se passou ‘desde a origem’. Uma vez ‘dito’, quer dizer, revelado,o mito torna-se verdade apoditica: funda a verdade absoluta.” O mito se institucionaliza e torna-se inquestionável: é assim porque dizem que é assim.
Como o mito ganha força? O que o torna tradição? O mito funda o rito, o ritual em que uma determinada ordenação do mundo é reafirmada. Em verdade, o rito muitas vezes reapresenta o mito e o reafirma como um modelo de ação para a comunidade.
Osmitos, então, se ligam a fundação do Estado e a preservação de certos interesses de classe. Esses interesses estão ocultos, no entanto, os mitos poderiam ser manipulados pelos que detém o poder, uma vez que, serviram de fundamento para os primeiros códigos de leis, em sua maioria de caráter consuetudinário (leis não escritas ).
As tradições sociais e os seus ideais tendem a ser tomados ouincorporados em mitos. A sociedade de consumo capitalista, em sua ânsia por vender e criar “novidades”, sempre repõe os seus ídolos ( da mesma forma que os “consome” ).
2) A mitologia grega e a explicação da Natureza
Ainda que as cidades-estado gregas fossem independentes entre si, a religião era um fator de unidade na Grécia Antiga. Embora as crenças divergissem com o tempo e o local, o politeísmo, oantropomorfismo, a ideia de que os deuses estariam continuamente interferindo na vida cotidiana dos homens e de que esses possuiriam sentimentos próximos aos humanos, são traços comuns na civilização grega.
Os deuses gregos estariam “por trás” de raios e trovões, vitórias e derrotas, riqueza e pobreza, inspiração e desencanto, etc. Eles personificariam sentimentos (como Afrodite, deusa do amor ),conceitos (como Moira, deusa do Destino) ou elementos da Natureza (como Poseidon, deus dos mares ). Entre eles haveria rivalidade e amizade, tramas e traições, delitos e punições.
Os feitos dos deuses formariam relatos (mitos) que eram transmitidos de geração à geração pelos aedos (poetas e declamadores ambulantes), que, inspirados pelos deuses, cantariam suas façanhas. As narrativas orais estavampropensas a serem modificadas com o tempo e davam base para a organização da estrutura social aristocrática da polis.
Atribui-se ao poeta Homero fato de ter escrito os poemas épicosIlíada e Odisseia, nos quais narrava a luta entre gregos e troianos e a volta de Odisseu/Ulisses a sua pátria. Nessas narrativas, são constantes as interferências de deuses no transcurso dos acontecimentos. No entanto,na com a narrativa de Homero as potências misteriosas e ocultas dos deuses gregos ganham uma forma definida, o que abre espaço para a compreensão da divindade e para a perca de sua aura de mistério. O antropomorfismo descreve a divindade de uma forma que não aterroriza o homem por ser semelhante a ele (os deuses homéricos são mesmo animados por sentimentos e paixões humanas ).
Outro poeta...
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