Metodologia de pesquisa cap. 3

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Cap. 3: Metodologia da pesquisa

CAPÍTULO 3: Metodologia da pesquisa
Neste capítulo, descreveremos a metodologia da pesquisa. Optamos por fazer uma
espécie de “reconstrução racional” que pretende resgatar os passos seguidos na busca pela
construção de um instrumento adequado de coleta de dados. Queremos dizer com isso que as
minúcias, assim como os “avanços e retrocessos”, inevitáveis em um(longo) processo desta
natureza, serão omitidos em favor de uma apresentação mais clara do mesmo.
Essa busca, mais do que um pré-requisito para a realização do estudo empírico junto
aos estudantes, ganhou com o desenrolar de nosso projeto de pesquisa o status de um objetivo
– em si mesmo – a ser alcançado. A quase inexistência de outros trabalhos com a mesma
temática, que pudessemsubsidiar-nos no campo metodológico, e a dificuldade de abordagem
do tema em questão, fizeram com que o próprio desenvolvimento do instrumento de coleta de
dados adquirisse tal importância.
Dividiremos o capítulo em duas seções: na primeira, abordaremos a “fase inicial” da
pesquisa, um estudo de natureza exploratória que visava, essencialmente, ao fornecimento de
diretrizes para a elaboração desseinstrumento, e ao estabelecimento de categorias prévias de
análise; na segunda seção, trataremos do “estudo principal” propriamente dito, ou seja, da
definição por um instrumento adequado e de sua utilização no contexto de uma coleta de
dados mais ampla e controlada.
3.1.) A fase inicial da pesquisa
O presente projeto de pesquisa nasceu do nosso trabalho de mestrado (Martins, 1998),
que por suavez se originou de uma monografia apresentada como trabalho final de um curso
de pós-graduação. Nela, havíamos proposto uma série de atividades de sala de aula tendo
como foco o conceito de tempo, numa tentativa de problematizar o seu ensino, intervindo na
maneira pela qual esse conceito costuma ser (ou não ser) trabalhado nas salas de aula e nos
livros didáticos. Retomar essas atividades foio ponto de partida do nosso novo estudo.
Decidimos então revisitar e aprimorar tais atividades, estabelecendo o que chamamos
de uma “seqüência instrucional” sobre o conceito de tempo, que se encontra sucintamente
descrita no Apêndice 1. O passo seguinte foi aplicar a seqüência em sala de aula. Escolhemos
o ensino médio de um curso supletivo noturno, de uma escola privada, para trabalharmos asatividades. Essa escolha justifica-se por dois motivos: (i) facilidade de acesso, uma vez que o
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pesquisador era professor naquela escola; e (ii) contemplava a perspectiva estabelecida, em
nosso projeto inicial, de começarmos o estudo com indivíduos de diferentes idades, níveis de
escolaridade e conhecimento de física.
Isentamo-nos da apresentação deum relato do desenvolvimento dessas atividades em
sala de aula, embora isso tenha sido muito rico do ponto de vista pedagógico, porque o
objetivo da seqüência instrucional, para a pesquisa, era simplesmente o de sensibilizar os
alunos e levá-los a refletir sobre o tema em questão. Visando propiciar a explicitação das
“representações” dos alunos sobre o tempo, selecionamos 3 estudantes (de umuniverso de
aproximadamente 50) para uma entrevista. Esses estudantes haviam destacado-se na redação
final (última atividade da seqüência) e nas discussões em sala, no sentido de apresentarem
uma riqueza (aparente) de idéias sobre o tema.
As entrevistas duraram em média 30 minutos cada, e foram bastante “livres”, ou seja,
procuraram aprofundar junto aos alunos suas próprias opiniões sobre oconceito de tempo, a
partir do próprio material escrito fornecido por eles, sem apresentar um conjunto fixo de
questões. Essas entrevistas foram gravadas (fitas K7) e posteriormente transcritas.
Decidimos realizar posteriormente outra entrevista, a título de comparação, com uma
única aluna do 3º ano do ensino médio de uma escola privada regular. Nesse caso, utilizamos
outra abordagem, uma vez...
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