Memorial

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ESCOLA SECUNDÁRIA DA PORTELA PORTUGUÊS 12º ANO UNIDADE – “Felizmente há luar!” |
A obra dramática de Luís de Sttau Monteiro desenvolve uma dupla temporalidade – a da obra (tempo dramático) e a da contemporaneidade do autor (tempo da escrita) -, respetivamente 1817 e 1961. Ambas as circunstâncias apresentam múltiplas afinidades, descritas no quadro comparativo que se segue:
Felizmente HáLuar! - Quadro Comparativo
Tempo Dramático (1817) | Tempo da Escrita (1961) |
Agitação social que levou à revolta liberal de 1820: | Agitação social dos anos 60, que levou à Revolução de 25 de Abril: |
Conspirações internas; - Revolta contra a presença da Corte no Brasil e contra a situação de «colónia» do país; - Contestação à influência inglesa no governo e no exército; -Movimentos de revolta, ligados às lojas maçónicas e aos estrangeirados. | Conspirações internas, «golpes palacianos»; - Revolta contra a guerra colonial, que teve início em Angola (1961); - Movimentos de contestação política e social (greves, revolta estudantil); - Protestos dos militantes comunistas e antifascistas, exigindo eleições livres e democráticas. |
Regime absolutista etirânico: | Regime ditatorial de Salazar: |
-A estranha ligação entre o poder político (D. Miguel, Beresford) e a Igreja (Principal Sousa); - A perseguição a todos os que denunciam a hipocrisia, a violência, a injustiça, o obscurantismo, a falta de escrúpulos do Poder, e apelam à justiça e à liberdade; - A censura, a repressão severa dos conspiradores, os processos sumários, a penade morte; - As redes de denunciantes, traidores e conspiradores que compactuam com o Poder. | - A amizade entre Oliveira Salazar e o Cardeal Cerejeira, e a defesa intransigente os valores da Pátria, Família e Fé; - A Censura, a perseguição política aos contestatários do Poder (PIDE), a falta de liberdade de opinião e de expressão, o exílio; - A parcialidade da Justiça (prisão, medidas derepressão, tortura, condenações sem provas); - As redes de conspiradores e denunciantes («bufos») que actuam na sombra. |
Os conflitos sociais: | Conflitos sociais: - |
-Classes dominantes motivadas por interesses mesquinhos e pelo medo de perder privilégios; - Povo oprimido e resignado à miséria, ao medo, à ignorância. | - Classes privilegiadas e exploradoras, com reforço doseu poder; - Povo reprimido e explorado, condenado à miséria, ao medo, ao analfabetismo. |
A execução do general Gomes Freire | O assassinato do general Humberto Delgado, por elementos da PIDE |

O título e sua simbologia

A frase «felizmente há luar» é proferida por duas personagens oriundas de dois universos diferentes, que se opõem:

- D. Miguel, símbolo do Poder (ActoII);

- Matilde, símbolo da resistência à tirania (Acto II).

Elementos simbólicos (presentes no título)
Luar
- Para D. Miguel, símbolo do poder absolutista, o luar permitirá que o clarão da fogueira atemorize todos os que ousam lutar pela liberdade, confirmando assim o efeito dissuasor e exemplar das execuções perante aqueles que desafiassem a autoridade dos Governadores (a noite é maisassustadora, as chamas poderiam ser vistas em toda a cidade, o luar convidaria toda a gente a assistir ao castigo).

- Para Matilde, o luar sublinhará a intensidade do fogo, que simboliza a coragem e a força de um homem que morreu pela liberdade e, por isso, se torna símbolo do esclarecimento e da revolta contra a tirania (anúncio da revolução liberal / 25 de Abril?).

- A lua, porque privada deluz própria e sujeita a fases, representa a periodicidade e a renovação, a transformação. Ela é também o símbolo da passagem da morte para a vida (durante três noites em cada ciclo lunar desaparece, para voltar a surgir).

Outros elementos simbólicos
Fogo

A fogueira acaba por ter um carácter redentor, simbolizando a purificação, a morte da «velha ordem», a vida e o conhecimento. O fogo...
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