memorial descritivo

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Memorial Descritivo Tania Mara Cinelli

Ninguém educa ninguém.
Ninguém educa a si mesmo.
As pessoas se educam entre si,
Mediatizadas pelo mundo
(Paulo Freire).

No decorrer da minha história de vida, que iniciou no município de David Canabarro, no estado do Rio Grande do Sul, onde nasci, filha de camponeses, foram muitas as experiências vividas. No ano seguinte, com uma filha de apenas umano de idade, meus pais foram trabalhar de empregados em Bento Gonçalves, RS, em busca de melhores condições de vida, pois possuíam pouca terra e não era suficiente para a construção e o sustento da família. No entanto, a situação de empregado e empregada, além de ter muito trabalho, não havia a valorização do mesmo, tendo um baixo salário.
Devido ao não alcance do objetivo de encontrar melhorescondições de trabalho, depois de seis meses voltaram para o campo, mas o sonho de melhorar de vida continuava, então, a mudança se deu de outra forma. Dessa vez, venderam a propriedade que possuíam, viemos para Santa Catarina e compramos uma terra na comunidade de Mundo Novo, em Campo Erê, atual município de Santa Terezinha do Progresso, onde vivemos até hoje.
Minha infância foi marcada pelotrabalho no campo, estudei na escola da minha comunidade, denominada “Escola Isolada Barra do Roncador” onde fiz as séries iniciais do Ensino Fundamental, caminhava quase quatro quilômetros para chegar à escola. Essa escola ainda existe como “Núcleo Escolar Mundo Novo”. Nessa escola iniciei minha experiência como professora e trabalho nela até hoje.
Já as séries finais do Ensino Fundamental e meuEnsino Médio, realizei na Escola de Educação Básica Santa Teresinha, no município de Santa Terezinha do Progresso, Santa Catarina. Para cursar o Ensino Médio, necessitei sair de casa, pois na época não havia transporte para o mesmo, o que demonstra a falta de políticas públicas para os povos do campo.
Assim que acabei o Ensino Médio, 1996 fui para Porto Alegre, Rio Grande do Sul, trabalhar deempregada doméstica, pois a ideia de sair da roça para “ter um futuro melhor” era forte. Como tinha o sonho em continuar meus estudos e estava numa região onde tinham universidades, tentei vestibular, mas não consegui aprovação. Morei lá por dois anos, depois voltei para casa de meus pais onde trabalhei um ano na agricultura junto com minha família, neste ano comecei a participar do Movimento deMulheres Camponesas (MMC).
Com a militância em um Movimento social popular, aprendi muito sobre a história da sociedade, me dei conta da opressão vivida pelas mulheres nos diferentes períodos históricos e a necessidade da libertação e da ocupação dos diferentes espaços de poder e decisão. Junto a isso senti a necessidade de estudar, como sempre era reforçado nos encontros de formação, baseado noexemplo de José Martí: “Quem luta sente a necessidade de estudar”. No entanto, para as camponesas nem sempre é garantido o direito de estudar.
A situação na agricultura familiar não estava fácil, devido a Revolução verde, por isso a necessidade de adquirir renda me levou a fazer um concurso na prefeitura, onde passei a trabalhar como Auxiliar de Serviços Gerais, na escola da comunidade, a mesma em queestudei e hoje desenvolvo minha prática docente. Quando funcionária caminhava quatro quilômetros todos os dias para ir trabalhar, foi com essa atividade que comecei a me apaixonar pela educação.
Foi em uma nova modalidade de educação à distância onde fui convidada por uma amiga a me inscrever, então comecei meu tão sonhado curso superior pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Paraestudar necessitava pegar o ônibus na minha comunidade ir para aula, posar na casa de amigos (as), no outro dia acordar às cinco horas pegar o ônibus para voltar, como o ônibus fazia outro trajeto dentro do município era necessário caminhar oito quilômetros até chegar ao trabalho, trabalhava o dia todo ainda voltava para casa ajudar minha família nos trabalhos domésticos.
Mas estudando percebi...