Memorial de aires

1453 palavras 6 páginas
Por Gaby Alves¹

Memorial de Aires, romance psicológico e última obra de Machado de Assis, foi publicado em 1908, mesmo ano da morte do escritor. A obra tem por tema a relação entre vivos e mortos e a velhice; a saudade de si mesmo. A crítica afirma que foi nesta obra que o genial escritor mais expôs os seus valores subjetivos, fugindo um pouco à sua característica mais marcante: a isenção narrativa, seria um recurso usado pelo autor para abrir mão da autoria dos seus sentimentos. Tem como articulação a voz de um narrador duvidoso, moderno, que nos leva pela narrativa ficcional de suas memórias. A assinatura “M. de A.”, que finaliza a advertência de abertura do livro, gera uma aproximação da figura do autor, Machado de Assis, com a construção da imagem do Conselheiro Aires.
Quem me leu Esaú e Jacó talvez reconheça estas palavras do prefácio: Nos lazeres do ofício escrevia o Memorial, que, apesar das páginas mortas ou escuras, apenas daria (e talvez dê) para matar o tempo da barca de Petrópolis.
Referia-me ao conselheiro Aires. Tratando-se agora de imprimir o Memorial, achou-se que a parte relativa a uns dois anos (1888-1889), se for decotada de algumas circunstâncias, anedotas, descrições e reflexões, - pode dar uma narração seguida, que talvez interesse, apesar da forma de diário que tem. Não houve pachorra de a redigir à maneira daquela outra, - nem pachorra, nem habilidade. Vai como estava, mas desbastada e estreita, conservando só o que liga o mesmo assunto. O resto aparecerá um dia, se aparecer algum dia M. de A.(ASSIS, 1994, prefácio). O romance opera um verdadeiro retrocesso na obra machadiana. Nele o romancista retorna à concepção romântica, mitigada pelo ceticismo risonho do conselheiro Aires. Ai se respira a mesma atmosfera dos seus primeiros romances: os seres são de eleição e a vida gira em torno do amor. Distingue-o, porém, e torna-a muito superior àqueles a mestria do ofício, o domínio do instrumento. Como novidade, traz a forma

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