Memoria , hitoria e tempo

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ARTIGOS

Memória, História e Tempo: perspectivas teórico-metodológicas para a pesquisa em Ensino de História *
Maria Carolina Bovério Galzerani**

Resumo
A proposta fundamental deste artigo é discutir o conceito de memória – na relação com o de história e de tempo -, com o objetivo de abrir brechas alternativas para a pesquisa em ensino de história. Para tal prioriza, sobretudo, o diálogocom o filósofo Walter Benjamin. Neste sentido, problematiza tendências acadêmicas contemporâneas presentes nesta área de pesquisa, as quais se fundamentam na racionalidade instrumental, e apresenta - a contrapelo destas tendências - experiências de pesquisa localizadas no Grupo “Memória, História e Educação” da Faculdade de Educação - Unicamp. Palavras-chave: memória; história; tempo; pesquisa emensino de história; Walter Benjamin.

Cadernos do CEOM - Ano 21, n. 28 - Memória, História e Educação

Apresentando a temática Inicio, parafraseando o poeta Pablo Neruda, para lembrar que a cada manhã de nossas vidas podemos fazer do sonho, outro sonho1. No que respeita à presente temática – i.é, às pesquisas acadêmicas voltadas para as potencialidades dos conceitos de memória, tempo,história, para o ensino de história – é possível tecer sonhos, reavivar utopias? No diálogo com o filósofo Walter Benjamin, buscou reatualizar o incidente ocorrido ao anoitecer do primeiro dia de luta da Revolução Francesa em Paris, quando em diversos pontos da cidade, ao mesmo tempo, foram disparados tiros contra os relógios das torres. Tentativa flagrante de paralisar o continuum de um tempo dedominação e instaurar o “novo”. Sabemos que este foi um gesto desesperado de busca de um “novo” tempo, que, de fato, não se concretizou para a grande maioria dos revolucionários, com seus sonhos de um tempo não subordinados ao relógio, ao trabalho, tempos como vida, plena de igualdade, liberdade e fraternidade. Mas, esta é uma outra história. Na aproximação com este inquietante pensador alemão – que foitambém ensaísta, crítico literário, tradutor e ficcionista – podemos, igualmente, encontrar um recurso alegórico de busca, de cesura, de ruptura em relação às práticas dominantes na pesquisa relativa ao ensino de história. Práticas estas presentes no contexto nacional, mas também internacional, no que respeita ao conceito de memória, nas relações com as noções de história, de temporalidade e deeducação. Refiro-me às acepções de memória, em relação às quais proponho que detenhamos os nossos olhares, neste momento. Acepções que apresento como alvo de combate. Até que ponto visualizamos a memória apenas como conhecimento racional nas pesquisas relativas ao ensino de história? Até que ponto concebemos tal questão apenas como objeto de análise histórico-educacional? Ou seja, até onde afocalizamos como um
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Memória, História e Tempo: perspectivas teórico-metodológicas para a pesquisa em Ensino de História - Maria Carolina Bovério Galzerani

campo subordinado, hierarquicamente inferior em relação ao lugar do qual acreditamos provir nosso conhecimento – i.é, a Ciência História e/ou as Ciências da Educação? Ou, ainda, de um outro ângulo, na pesquisa das memórias, dialogamos de fatocom as tradições historiográficas e educacionais que elegemos? Como temos enfocado os apagamentos dos outros, dos diferentes – bem como, muitas vezes, os esquecimentos das singularidades espaço-temporais – que preponderam em práticas hodiernas de produção de memórias, de maneira mais ou menos explícita? Em que medida a concepção de tempo, prevalecente em nossas análises, funda-se num olhardicotômico, que fragmenta as dimensões presente/passado/futuro, olhar que reproduz os ritmos das máquinas – ritmos etapistas, lineares, compartimentalizados, pautados em relações de causa/conseqüência? Em que medida a visão de tempo, que colocamos em ação nas pesquisas, consegue trazer à tona as tensões, as ambivalências, as diferenças incomodativas dos sujeitos pesquisados, bem como suas relações...
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