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Casamento contemporâneo: o difícil convívio da individualidade com a conjugalidadeum
Terezinha Feres-Carneirodois
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
 
 

Resumo 
Na discussão sobre casamento contemporâneo várias questões são desenvolvidas. Ressalta-se a relevância institucional do casamento e o papel que ele desempenha para os indivíduos como instrumento de construçãonômica. Descreve-se como o casal contemporâneo é confrontado por duas forças paradoxais, ou seja, pelas tensões entre individualidade e conjugal idade. Aborda-se o tema da manifestação da aliança e da sexualidade no casamento e no recasa mento contemporâneo. Discute-se a questão da separação conjugal e suas conseqüências para os membros do casal e da família. Descrevem-se as características da famíliarecasada e suas possibilidades de interação funcional. Enfatiza-se a importância da relação conjugal para o desenvolvimento emocional dos filhos. E, finalmente, ressalta-se que o compromisso da terapia de casal não é com a manutenção ou a ruptura do casamento, mas com a saúde emocional dos membros do casal e da família. 
Palavras-chave: casamento, individualidade, conjugal idade, separação,terapia de casal.
Key words: Marriage, individuality, conjugality, separation, couple therapy.

 
 
Casamento: a lógica do um e um são três
Costumo dizer que todo fascínio e toda dificuldade de ser casal, reside no fato de o casal encerrar, ao mesmo tempo, na sua dinâmica, duas individualidades e uma conjugal idade, ou seja, de o casal conter dois sujeitos, dois desejos, duas inserções no mundo,duas percepções do mundo, duas histórias de vida, dois projetos de vida, duas identidades individuais que, na relação amorosa, convivem com uma conjugal idade, um desejo conjunto, uma história de vida conjugal, um projeto de vida de casal, uma identidade conjugal. Como ser dois sendo um? Como ser um sendo dois? Na lógica do casamento contemporâneo, um e um são três, na expressão de Philippe Caillé(1991). Para Caillé, cada casal cria seu modelo único de ser casal, que ele chama de "absoluto do casal", que define a existência conjugal e determina seus limites. A sua definição de casal, contém, portanto os dois parceiros e seu "modelo único", seu absoluto.
Isto a que Caillé chama de "absoluto do casal" é o que denomino de "identidade conjugal", e que na literatura sobre casamento e terapiade casal é designado, de um modo geral, como conjugalidade.
Casamento: um ato dramático
Berger e Kellner (1970), ao discutirem a relevância institucional do casamento, ressaltam que, desde Durkheim, é um lugar-comum da sociologia familiar que o casamento serve como proteção contra a anomia do indivíduo. Sendo um instrumento de construção nômica, o casamento tem como função social criar para oindivíduo uma determinada ordem, para que ele possa experimentar a vida com um certo sentido. Para estes autores, a realidade do mundo é sustentada através do diálogo com pessoas significativas e o casamento ocupa um lugar privilegiado entre as relações significativas validadas pelos adultos na nossa sociedade.
Berger e Kellner (1970) descrevem, então, o casamento como um ato dramático, no qual doisestranhos, portadores de um passado individual diferente, se encontram e se redefinem. O drama do ato é internamente antecipado e socialmente legitimado muito antes de ele acontecer na biografia dos indivíduos. A reconstrução do mundo no casamento ocorre principalmente através do discurso. Na conversação conjugal, a realidade subjetiva do mundo é sustentada pelos parceiros, que confirmam ereconfirmam a realidade objetiva internalizada por eles. O casal constrói assim, não somente a realidade presente, mas reconstrói a realidade passada, fabricando uma memória comum que integra os dois passados individuais.
Casamento: as dimensões de aliança e de sexualidade
Aliança e sexualidade constituem, sem dúvida, duas das mais importantes dimensões da vida conjugal. Para Levi-Strauss (1968),...
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